Meninas único estado

Eu adoro filmes esquisitos, com história de gente fudida que mora no cu do mundo ( acredito que porque eles retratam a realidade da maioria ). Vou por aqui meu top 5:

2020.11.17 06:46 underpursuit Eu adoro filmes esquisitos, com história de gente fudida que mora no cu do mundo ( acredito que porque eles retratam a realidade da maioria ). Vou por aqui meu top 5:

5 - a teta assustada:
Filme peruano indicado ao Oscar. Sobre uma mulher que mora numa favela da cidade de Lima. Ela quer enterrar a mãe no vilarejo indígena onde ela nasceu mas não tem dinheiro para levar ela. Ela embalsama o corpo da mãe para conservar ele. Ela então passa a trabalhar para uma pianista rica para ganhar dinheiro e poder enterrar a mãe
4- Café com canela
Filme nacional que retrata a vida de uma professora que vive o luto do filho por vários anos, reclusa em sua casa. Ela recebe então a visita de uma ex-aluna que ressignifica sua vida.
3- Inverno da alma
Filme indicado ao Oscar. Ree, uma adolescente moradora de um vilarejo florestal no estado de Missouri, cuida dos irmãos mais novos já que sua mãe tem uma doença mental que a deixa alheia ao que se passa em volta e o pai, traficante, abandonou a família. Ela recebe a visita de um policial informando que o pai deixou a casa que ela mora como fiança ao Estado. Como a polícia não o acha, essa ordem deve se cumprir em uma semana. Ree então busca o paradeiro do pai.
2- Insolação
Filme distópico nacional que se passa numa Brasília abandonada, onde os únicos personagens são os poucos atores, que parecem ter sofrido uma espécie de delírio coletivo após uma onda de insolação na cidade
1- a festa da menina morta
Filme nacional que retrata a história de Santinho, um amazonense que é considerado um santo em seu vilarejo por acreditar-se que ele recebe o espírito de uma menina morta que abençoa os moradores dos arredores. No decorrer do filme se vê que ele comete incesto com o pai
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2020.11.06 04:49 Vegetable_Banana1672 Não sei como lidar com a mudança na minha vida (throwaway)

A algum tempo atrás na minha vida, tudo era diferente... Sou um homem adulto, de 24 anos que não tem noção do que fazer na vida mais... Eu era militar da marinha, corpo de fuzileiros navais, e entrei com 19 anos,hoje tenho 25. Lá dentro eu fiz todo tipo de curso, que sempre envolvia esforço físico e psicológico (quem quiser saber mais pode perguntar, mas não vou detalhar aqui). Ano passado saiu a minha baixa, apesar de sermos concursados não temos estabilidade garantida e meu nome veio na lista do medo, e de um dia pro outro minha vida mudou completamente. Literalmente em um mês me separei da minha mulher, mãe da minha filha, mudei de estado, perdi minhas coisas, fiquei sem um real no bolso e todo meu acompanhamento psicológico ficou na minha baixa da marinha, meu salário, minha filha, tudo. Hoje moro em SP na casa da minha avó, porque minha mãe é casada e basicamente eu era maravilhoso enquanto militar, agora ninguém dá a mínima pra mim. O descaso é uma coisa nojenta, você só serve para as pessoas enquanto você serve pra elas.
Tenho estresse pós traumático e depressão profunda, apesar de esconder de todas as pessoas, isso me mata. Ainda tenho minha farda limpa, passada, não consigo passar isso pra trás, eu não sei fazer porra nenhuma, os caras te treinam pra fazer de tudo, saltar de paraquedas, utilizar explosivo, só não te preparam pra tempestade de merda que isso vai te trazer quando você não servir mais pra esse país de merda, fui pro Haiti, pro Congo, Rio de Janeiro, e agora não tenho um único suporte, nem o tratamento psicológico querem me dar. Sem contar que eu em 10 meses engordei uns 30 kg, por causa das medicações, nervosismo, não consigo mais correr, eu sempre fui forte e hoje estou entregue a uma quantidade gigantesca de cigarro, relacionamentos casuais e uma alimentação podre. Vocês não tem noção de como é a sensação de saber que você pode fazer tanta coisa, mas é tão fraco que não consegue fazer nada. Não consegue sair pra correr pela cidade, não consegue ir num restaurante sem estar 24/7 atento como se algo fosse acontecer, um assalto, não confia nas pessoas, é uma MERDA. Eu estou muito triste, infeliz.
É inacreditável o descaso que o governo dá pra nós que saímos, não temos UMA porra de uma assistência, eu vi criança no Haiti com tanta fome que chupavam camisinha na beirada da estrada, tomavam água de privada dentro de banheiro público, os pouquíssimos que existiam no país. Menina de 10 anos se prostituindo por prato de comida pra pastor evangélico que vai pra “missão” pregar a “”palavra”” e esses filhas da puta de igreja famosa andando como cercado de crianças e postando fotos em Facebook e quando acabava o “””Culto””” iam pra assembleia comer as criancinhas, eu queria que todos morressem queimados. Eu nunca vou esquecer do que eu vi e do que eu fiz, e diz como se vive com uma lembrança dessas? Eu vi mulher levando uma machadada no braço e arrancarem o braço dela no Congo por causa de uma ração de arroz, gente vendendo filho na merda do mercado ou trocando por traficante de órgãos em troca de uma cabra. E você não pode fazer nada por causa dessa lei maldita internacional, você tá lá pra garantir a paz mas não pode fazer nada contra quem é contra ela.
O mundo e cruel e as pessoas são frágeis demais e isso me irrita, quando tento trabalhar em uma empresa com pessoas normais, que não são retardadas como eu, elas tem problemas tão simples que me dão nojo... “Aí meu Deus essa impressora não funciona” “aí nossa não consigo viver sem meu iPhone” Mas aí você lembra que você que é o anormal e que essas pessoas são completamente comuns, e que você com seu desequilíbrio é um doente mental que acha que problema pra você é perder um amigo por semana no RJ pro tráfico de drogas. Foda se o tráfico, libera essa merda.
Esse é um desabafo, eu realmente não sei porque eu tô escrevendo isso, mas foda se
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2020.10.24 22:35 umusar Autoestima e inseguranças

Olá, bem, faz algum tempo que eu queria falar sobre isso. Indo direto ao ponto, eu sou uma pessoa com uma autoestima bem ruizinha, ao ponto de mal conseguir me olhar no espelho. Até aí tudo bem, o problema é que com o tempo comecei a gostar de uma menina e começamos a namorar pela internet. Sinceramente, acho muito difícil nossa relação dar certo, ainda mais que ela mora em outro estado, mas apesar disso, nós sempre tínhamos boas expectativas para o futuro. Meu maior medo é de nós nos encontrarmos um dia e ela não se sentir confortável comigo, pois além de ser assim, não sou uma pessoa muito sociável, sendo completamente diferente na vida real. Tenho vários problemas que poderia listar, mas acho que não seria necessário, só queria encontrar mais pessoas com problemas parecidos aos meus e não me sentir o único. Bom, é isto, gostaria de saber o que vocês pensam sobre isso e o que faria no meu lugar.
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2020.10.14 08:50 PlayMoreZeppelin_ Ressaca que não passa...

Alerta de textão!! Se puder me ajudar como eu poderia tirar essa neura da minha mente, ficaria imensamente agradecida, na moral. Essa merda tá me corroendo
Quero desabafar sobre uma experiência que eu vivenciei no começo do ano e até agora, já quase no final do ano, n consigo tirar da minha cabeça. E, esses sentimentos ficam me atormentando.
Bom, nesse ano de 2020, eu concluo o ensino médio. Então, como muita gente, sabe. É o ano q tá td mundo na neura, querendo badalar e passar o máximo de tempo cm os amigos. Pq vai saber para qual caminho a vida vai levar cada um.
Logo no começo do ano, nós organizamos um churrasco para enturmar melhor o pessoal q era de outro período e mudou para a manhã. Além da galera nova q entrou. Essa tal festa aconteceu num condomínio de uns amigos meus, td planejado, os pais do menino q iriam cuidar do churrasco e td o mais, são SUPER liberais, então, na certa bebida, narguilé e outros trem td autorizado.
Eu estava bem empolgada cm a festa, td combinado pra n dar b.o. aq em casa. Táok, chegou uns dias antes da festa, tava td dando errado. Aquela bagunça q é pra organizar festa pra rapaziada, fora os meus próprios b.o.’s. Estava passando por uns momentos difíceis, deprê pra kct. Cheguei a falar para minha amiga q eu ia de carona, que n iria mais. Tava cm um puta pressentimento ruim. Mas, ela queria muito q eu fosse, pq tava de olho num carinha, q ela tava ficando. E ela n queria ficar sozinha (ela é meio tímida). Blz, ela insistiu tanto q eu acabei mudando de ideia, e deixei os meus pressentimentos de lado.
Chegamos na festa, e eu já dei de cara cm um ex-amigo meu. Nós sempre tivemos uma relação meio conturbada, pq ficamos muito próximos de repente, há alguns anos. Já tive grande carinho por ele, mas ele é uma pessoa um tanto difícil de lidar.
Flashback Quando começamos a ficar próximos, percebi q ele estava criando sentimentos mais fortes q amizade por mim. Então, decidi jogar a real, quando ele foi sincero cmg. N fui rude nem Nd, até pq o considerava muito msm. Ele, no início, pareceu levar de boas a situação. Porém, depois ele começou a forçar a barra, teve um episódio numa festa na casa dele-despedida dele, pq ele foi fazer intercâmbio por um ano(na qual, muitos amigos dele estavam, e tds eles sabiam do que tinha acontecido-pelo menos, a versão dele da história), em que ele tinha bebido uns gorós. Ele foi até onde eu estava, e eu percebi q ele já tava meio alterado. Então, já fiquei mais em alerta. Ele começou a tentar me acariciar, sabe. Falando no meu ouvido, tentando me abraçar e td. Aí, falei pra ele, q n tava curtindo. Principalmente, pq ele tava tentando forçar na frente dos amigos dele. E, basicamente, tds eles ignoraram o fato de eu estar desconfortável cm a situação td. Me despedi, rapidamente, de tds e dele. E, fui embora.
Durante esse ano de intercâmbio dele, ele sempre me ligava, e por um tempo, cheguei a acreditar como ele afirmava cm tanta convicção q ele tinha se desiludido, e queria só amizade. Acreditei, pq ele falava sobre várias minas q ele tinha pegado e td. Agora, vejo que na intenção de me causar algum ciúmes ou algo do tipo. Pois, quando ele voltou do intercâmbio, a família dele deu outra festa, e eu fui convidada.
E, por um tempo, achei q ele realmente tinha desiludido. Fiquei muito feliz, pq realmente apreciava a amizade dele. No entanto, foi só ele beber um pouco, q ele começou a fazer td q ele fez na despedida. Até msm na frente dos pais dele. Fiquei super constrangida, pq entre uma conversa cm o pai dele, ele meio q deixou a entender q a gente já tinha tido um lance mais sério*. Eu fiquei: WTF?. Já comecei a ficar puta da vida, então chamei um Uber. Ele pediu desculpas, e pediu para fazer companhia, enquanto eu esperasse. A gota d’ água foi quando ele tentou me forçar a beijar ele na garagem dele. Aí, eu surtei, falei pra ele, tudo q estava entalado. Ele falou coisas horríveis. O pior de td é q a garagem dele tem câmera, então provavelmente, td mundo lá dentro viu o nosso pequeno espetáculo. O Uber chegou e eu me mandei. Isso foi antes do ano letivo desse ano.
Quando voltamos às aulas já n éramos mais amigos. Então, foi bem tenso vê-lo na festa, assim de cara. Achava q ele n iria.
Retomando Voltando a festa desse ano, ao chegarmos fomos falar cm o pessoal. Até aí, tava td ótimo. Eu e a minha amg rachamos a conta na adega. Estava economizando para chutar o balde nesse dia.
Bebi pra caramba(bebidas suaves, Askov, Corote, algumas batidinhas) , mas como estou acostumada, nem estava tão alterada. Depois disso, oq me lembro foi de td mundo estar mais doido q td, e eu ter tomado um copão de batida de vodka de maracujá misturado cm Halls (experimentos). Foi aí, que td, absolutamente TD, começou a dar errado.
Foi quando bateu o álcool de uma vez, como já tava percebendo q tava ficando doida. Peguei e fui sentir perto dos narguileiros de plantão, trocando ideia. (A essa altura nem lembrava do paradeiro da minha amiga). Só sei q já tinha passado um pouco aquela baque da brisa, então me levantei da cadeira. Tava td okay, até alguém me pegar CM TUDO no colo, mano. TURU BOM? Era ele, o meu ex-amigo, falando: Calma, calma e meu nome.
Percebi q ele tava alterado, então comecei a entrar em pânico. E falei pra ele me colocar no chão. Mas, com o reboliço td de ele ter me levantado do chão, a brisa bateu forte de novo. Me senti fraca e impotente (por fora), por dentro? Eu estava puro pânico, pq sabia q td mundo tava doidão. Ninguém ia notar NADA. Ele me levou no colo para fora do salão, e sentou num banco lá fora. Ele me colocou no banco e sentou do lado. Ergueu as minhas pernas e colocou no colo dele. Eu estava totalmente sem forças, meio desnorteada.
Então, ele colocou a minha cabeça no ombro dele e o meu braço ao redor do pescoço dele. Um pessoal q tava perto começou a notar e perguntaram se eu queria água, ele respondeu q ss, mas q ELE queria cuidar de mim. Aí, n sei, oq deu em mim, mas, eu comecei a questioná-lo sobre o pq de ele ter feito td aquilo antes e ter me abandonado. (Eu sei, sou uma idiota. Mas, acho q até msm o meu consciente, antes daquela noite, n fazia ideia do quanto eu valorizava a amizade dele). Como ele n respondia, eu repetia e repetia. Mas, ele n me olhava nos olhos. Então, eu peguei o rosto dele para ele me olhar nos olhos. Foi, nesse exato momento, que a merda aconteceu.
Ele, simplesmente, me segurou forte e tascou um beijo de língua, daqueles de pegada msm. Eu estava enojada, n queria q ele me beijasse. N queria beijá-lo, n retribui o beijo. Tentei me desvencilhar dele, porém estava totalmente sem forças devido ao porre q eu tomei. Foi péssimo, td mundo lá. Ele alisando td ao alcance dele. Quando ele finalmente me largou. Eu disse um bom: KRL. Vc nunca muda msm. Eu estou interessada em outra pessoa. (Ele sabia disso) Msm, essa pessoa pela qual, por acaso, ainda estou apaixonada, namorava.
Então, ele ficou puto, falou q eu tinha provocado ele. E q ELE estava saindo cm outra pessoa, e que eu o tinha usado, apenas pq a pessoa q eu queria n estava disponível. Td mundo ouvindo. E eu sem forças NENHUMA para ao menos me defender. Me sentindo um nojo. Eu sei q foi “apenas” um beijo, mas para mim, foi muito mais q isso.
Como se já n bastasse, ele ligou para a melhor amiga dele, e contou td oq tinha acontecido. Me colocando óbvio como a bruxa sedutora da história. Tds ao redor observando, afinal nunca fui uma pessoa de ficar cm vários. Aí, a mãe do meu amigo q tava organizando a festa, veio e começou a gritar comigo (tb estava alterada e n era pouco). Ela gosta muito desse menino q me beijou e o defendeu, falando q ele era um menino responsável por já ter feito intercâmbio. E eu mal conseguia balbuciar algo.
Finalmente, quando ela parecia q ia voar em mim, um menino q estudou cmg há muitos anos, falou pra ela q já era demais. E me pegou e levou para longe da confusão. Foi aí, q eu desabei. Me senti suja, pelas coisas q ele falou de mim(tanto para a melhor amiga dela, quanto para as pessoas ao redor), pela forma como a mulher gritou coisas horríveis. E além disso, senti raiva de mim msm, por permitir me sujeitar àquele estado. Chorei muito, lembrando de td e dos problemas q estava passando. O beijo dele indo e vindo na minha mente. As mãos dele no meu corpo. Fiquei tão enojada, que tive que vomitar. E o menino me acalmando, dizendo q tudo iria ficar bem.
Aí, quando eu comecei a me sentir segura, pela primeira vez EM HORAS, ele perguntou se eu queria ficar com ele. N acreditei. Disse q n, e que queria q ele fosse embora. Justamente, nessa hora, minha amg chegou. Devastada.
Contando td a maior ressaca física da minha vida nesse domingo, que se seguiu, após a festa. Nd se compara ao porre q eu tive q aguentar nas semanas q se seguiram na escola. Foi horrível. Nunca dei muita importância para oq as pessoas falam sobre mim. Acho q oq me abalou mais, foi o fato de eu msm ter a msm opinião delas sobre mim. Isso me deixou no chão.
As pessoas que foram a festa contaram oq aconteceu as que n foram. Lembro de entrar no banheiro feminino e a rodinha de meninas pararem a conversa. Minhas amgs de outra sala me contavam oq elas falavam pelas minhas costas, porém sei q elas suavizavam por n quererem me ver pior do que eu já estava.
Os meninos foram os piores, principalmente, os amigos deles. Claro que n foram tds, teve até um menino q ficou puto da vida, aparentemente, ele era o único sóbrio da festa. E viu OQ realmente aconteceu. Eles ficavam me oferecendo bebidas e encontros. Além de olhares maliciosos.
Pelo menos, quando o isolamento começou eles pararam de mandar mensagens ou falar sobre nos grupos. Tive que sair da escola por motivos financeiros, oq ajudou bastante nas fofocas plm.
O meu ex-amigo teve a cachorra de me mandar mensagem, quando eu saí. Perguntando se eu estava bem, q ele ficou sabendo q eu estava saindo da escola. Para falar a vdd, acho q ele pensa q n me lembro de Nd daquela noite. Bloqueei o número dele.
Sei q foi “somente um beijo”, fico repetindo isso a mim msm, para minimizar a situação. Tento ocupar minha mente a td tempo. Mas, uma coisa difícil é vc fugir de algo q está encravado na sua memória. Quando lembro daquela noite, td a vergonha, nojo, esses sentimentos tomam conta como estivesse ocorrendo novamente naquele exato momento. Já chorei muito, muito msm. Pfv, se alguém chegou até aq e tenha algo a dizer, ficarei feliz se puder me ajudar. Tenho estado muito angustiada. N contei a ninguém esses mínimos detalhes.
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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.09 22:17 BanselSavant A maldição da demissexualidade

Edit: a "namorada" me chutou. A gente ia se encontrar na segunda, adiou, na semana que vem, agora nunca. Depois n querem meu psicológico fodido. Me dispensou pois pretende se mudar pro nordeste e facilitei isso com umas informações que n tinha. Sucesso pra ela, enquanto eu continuo na merda. Nada muda E a outra lá eu chutei. Sanguessuga malvada
Acho que é óbvio o paradoxo, mas quero discutir. Sim, por causa da pornografia, um monte de fetiches e invejas me surgiram, como pegar em festa, ou em público, ou em situações específicas, etc, mas n sei se conseguiria fazer de fato. Sou um fracasso na vida, logo na sexual também. Todo sexo q tive foi pagando e o que foi "na amizade" mesmo pagando foi o único q gostei, justamente pela amizade, pela conexão, pelo gostar da mina. Posso ficar duraço com uma mina que vejo na rua, mas obviamente n poderia chegar ou tentar algo. Essas histórinhas de rolar com desconhecidos deve ser meme ou com sortudo, como uma que a ex (diaba muito diaba) me contou. Conversaram um pouco na piscina do hotel e foram e fizeram no banheiro. Queria muito saber como ele convenceu ela a isso, como ela n se arrepende e tal (n q deva ter motivo de arrependimento. Quero q ela se exploda), como rola essa conexão. Parece q existe palavra mágica. Invejo esses caras q conseguem boquete aleatório de desconhecida, etc. Roteiro de pornô, mas da uma depre pq existe na realidade e queria q rolasse comigo. Diversas vezes fiquei atraído e seria tão massa se rolasse, sem machismo, sem estupro, sem forçação, sem mimimi, só tesão, dois corpos se pegando. Obviamente acho q n sou atraente. Sou estranho, alto, magrelo, desvio os olhos, etc. (Tou melhorando, mas longe de ser um garanhão) Mas convenhamos q muitos feios pegam, que muitas minas só querem o pau e tão nem aí se o cara é casado, santo ou bate na mãe. Muitas tem seu tesão e queria topar com uma que só rolasse e tal. Seria tão massa. Maaaaas eu conseguiria? O pau continuaria duro? Conseguiríamos um posição confortável? São tantas dúvidas e pensamentos q quase piro. Por outro lado, quero a minha gata, passear pelo corpo dela, endeusá-la, ajudá-la a sentir todo prazer possível. Eu sou romântico. Mas parece que romantismo afasta as mulheres. Qual o problema de meter até o talo sim, num banheiro sujo qualquer, mas com carinho? N gosto mesmo da ideia de objetificar, por mais q tenha meus fetiches de dominação. Dominação é objetificar? O que difere uma mina que gosta de ser chamada de puta do cara que chama ela de puta? Ela é um lixo? Ele é um lixo machista? Acho que notaram q tenho dúvidas sobre pessoas em geral. Gostaria de entender, como lidar com as pessoas, como reconhecer que uma mina tá a fim... É meme aquela história (isso é exemplo) do caminhoneiro que mostrou o pau pra filha do dono do posto de gasolina, incentivou ela a entrar na cabine do caminhão, tocar nele, chupar ele, ele depois mandar ela se limpar e n dizer nada a ninguém e ainda ela ainda ter gostado de tudo isso? N que eu queira mostrar o pau por ai, mas já vi tanta história de cara exibicionista que despertou tesão na mina e comeu ela. Ou é tudo meme? Ou acontece mesmo, principalmente nesses interiores de fazenda, região rural e menos urbana ("menos civilizada")? Pessoal, são dúvidas sinceras. Meio que tou namorando agora e tou sem saber lidar com ela. N gooooosto dela, mas n quero perder ela. Eu sei que pareço um canalha que vai usar ela e depois abandonar, mas realmente n quero isso. Se for para deixar ela, ela vai continuar virgem, pq n vou me aproveitar. Já cometi uns erros na vida e minha disciplina está intacta, meu senso de moral engrossou. N é divertido machucar coração. N é divertido fazer mal a alguém. Mas já vi tanta história de casais q de comum acordo desvirginaram, mas n ficaram naquela de ficarem juntos para sempre. Já vi tanta história de nego q comeu e abandonou e a mina continua a vida como se nada tivesse acontecido, n sente raiva dele e tal. Deliberadamente eu casaria sem hesitar com umas meninas específicas, mas n essa "namorada". Moramos perto, mas ainda n nos vimos pessoalmente. Quando acontecer, vou poder estourar ela de beijos (devo, por palavra dela), mas nem pensar muito em algo sexual. Okay dela n daaar no primeiro encontro. Compreensível, mas em algum momento vai rolar. Acho q sinto um medo de ficar preso a ela. Sou muito sentimental e sabem a ex diaba q citei? Diaba pq ela casou e ainda me contata. E ela é de outro estado e nunca nos vimos pessoalmente. Ela me persegue, acho q esperando q eu mande ela tomar no cu e bloqueie. Mas n sou de fazer isso. Tenho raiva dela, mas se eu externar, meu coração q vai sentir e n vou ter um piripaque por causa dela. Mas é notável q ainda sou um pouco preso a ela. N no sentido amoroso ou sexual (quero que ela se exploda²), mas n consigo levantar o dedo para dar fim de vez a esse contato. Sinto q eu perderia algo. Sabem a história dela com o cara na piscina? Consegui arrancar dela indagando sobre tesão feminino, oq no homem atrai a mulher e tal, pois já que ela é mulher experiente e eu preciso de respostas, resolvi tentar aprender um pouco, tirar algum proveito dela, depois dela brincar tanto comigo. Gente, o que eu faço? Tou certo em algo? Tou errado em algo? Em q? Oq faço? N quero machucar ninguém e com essa postura acabei bem machucado pelos anos ae (antes e depois de eu ter cometido os uns erros que citei)
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2020.09.02 17:56 Foezx FICO TRISTE POR VC !

Mano, sei lá eu gostaria de passar o dia fazendo piadas com vc e esperando vc responder a nível, mas tudo q vc fala é desinteressante, não tem conteúdo, quem dirá um pingo de graça, acho que você não tem capacidade pra isso, não sinto vontade em falar com você, já percebeu que os únicos momentos que as pessoas contraem os músculos faciais exibindo sinal de contentamento, e risada, são os momentos que você erra com norma gramatical do português ? Dizendo coisas do tipo “esplicando”, “sua pau” dentre outros erros nos quais você comete. Fico triste por você, as pessoas não gargalham pelo que você fala e sim pelo que você é, sua presença é insignificante, você é desinteressante, você só é notado em ocasiões especiais do tipo, uma menina precisando de crédito, ela vai em busca de algum senhor de idade com acefalia que mandaria crédito esperando receber coisas como “pack do pé” “nudes infantil” “umbigo cabeludo”, ou seja você meu amigo, é apenas um primata perante uma floresta de predadores nos quais não gastariam se quer alguns segundos para dedicar a te fazer de presa, um ser acéfalo, já no estado terminal e de idade avançada. Força meu caro, espero que encontre alguma comunidade de acéfalos para te acolher algum dia.
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2020.06.15 22:34 Vl4dimirPudim Fiz uma história por trás da lives com se o Reddit fossem país e as lives um grande evento, dá um bizu aí desculpa pela ma qualidade

Pudinisland é um grande arquipélago paradisíaco de bioma tropical, que aloja 3 grandes principados [United State of Renatinho, United Gnomish Kingdom e Rússia 2].
USR é um estado livre tendo seu príncipe regente André e o primeiro ministro teemo, Ele é situado no Nordeste da ilha principal, muito conhecido pelas praias de surfistas e pelo grande evento de BarryTown. Falando de BarryTown, a maior cidade do arquipélago e capital do USR com quase milhão de habitante #cazum1Milhão, essa cidade se resume a grandes imprensas de coxinhas, pudim e pizzas, Escritórios, Igrejas devotas a KLEBÃO, praia, meninas de anime e muitos bares, tendo o maior centro financeiro do arquipélago, a noite na cidade é bem agitada, sendo basicamente uma cidade 24/7, arranha-céus luminosos, muitas luzes, aí meu deus estou cego, é assim que BarryTown Funciona, porém há festival que é capaz de reunir quase todo mundo, o chamado LIVE festival, celebrando a paz com o Império Gnomistico, onde o próprio príncipe é a atração, todos se reúnem no estádio de eventos chamado Twich, onde as vezes rola um tráfico de doginho, mais é bem animado, e é ao vivo, é só ir lá, é sempre uma locura. Os grandes prédios residenciais são bens comuns afinal são muitas pessoas, tanta tecnologia faz BarryTown ser uma cidade digna de cyberpunk 2077, em suprasumo bela, caótica, cidade luminosa. Outras cidades menores se destacam como Pepinopolis, Teemo city e GodenoTown.
RÚSSIA 2, um país peculiar que é gonvernado pelo Vladimir Pudim [eu mesmos] e também é o maior principado do arquipélago, basicamente agrega toda comunidade eslava de toda a Ilha, como: bebedores de vodka, jogadores de tarkov, o Próprio Nikita criador do tarkov, ex membros da KGB e a galera que escuta hardbass, a antiga capital TARKOV foi citiada e vive até hoje como zona de guerra intensa, a capital atual é Moscow 2, não tem muita coisa interessantes na cidade além do kremilen, mais as vezes todo mundo começa a dança o Hino da União soviética do nada, o meio de transporte mais usado é URSO, e é o país que mais exportar doguinho do arquipélago, muitas pessoas nasceram nesse Belo principado mais a maioria sai do país, fazendo com que eslavo seja a maioria étnica na Ilha. O país é preocupado de mais com questões internas pra ter um inimigo, então ele é aliado de todos os lados, é o principado com mais ogivas nucleares de todos, também é o único a ter ogivas nucleares, possui o maior exército do arquipélago.
UGK é o país dos gnomos, se localiza na região Sul da ilha, onde todos se chamam gnomo, o principado é uma monarquia constitucional onde o príncipe regente é GNOMO, mas quem gonverna é um conselho de gnomos, a capital é Pc do André, a economia do país se resume venda de energia aos principados vizinhos, e imprensa de coxinha ( os gnomos são os principais consumidores de coxinha do Mundo ) e lojas de salto alto. Apesar de muito gostarem da peculiar cutura gnomistica, eles vêm de um passado ruim, fazendo com que os gnomos sejas um pouco autoritários e meios xenofobicos, mas em geral eles estão se esforçando pra viverem em paz com os outros reinos, é um belo país, as praias são mais calmas, e a beleza natural é única, sua capital hoje avança rápido após o pacto de ajuda e não agressão assido por todos os estados. Eles podem ser meio extremista e há muitos ataques não oficiais, principalmente em BarryTown, e muitos odeiam os Barryanos.
Hoje o arquipélago vive passifico ( tirando tarkov ), os princípados possuem tratados de paz, a prosperidade reina em ambos os reinos, e até há uma proposta de uma unificação, mas ainda não muita aceita, porém nem sempre foi assim...
A mais ou menos 37 anos atrás, ocorreu a primeira guerra Gnomistica do arquipélago, onde hove um ataque a um avião comercial vindo de UGK para USR com escala em RÚSSIA 2, o avião tinha a população de ambos os países [ Ricardo milos, Vladimir Putin Fake e gnomos], todos morreram (F). O fato de ninguém saber Quem disparou os mísseis desencadeou muitos desentendimentos entre os princípados, ocasionado um grande ataque Gnomistico, que matou o Líder das Nações Unidas Renatinho (F), Renatinho era muito querido por ambos os princípados, isso faz USR pagar em armas e retalhar o estado dos gnomos, os gnomos eram meio aliados da RÚSSIA 2, porém a RÚSSIA 2 tinha interesse regiões e acaba declarando guerra aos dois estados. Meses de Guerra intenção fez com que a capital TARKOV fosse destruída, Moscow 2 virou a nova capital e Rússia 2 faz aliança com USR, essa aliança faz com que que o Reino Gnomistico fique em ruínas, perdendo a Batalha, não houve vencedores pois todos perderam (F pelos mortos). Um general chamado Vladimir Pudim que lutará na guerra, foi convocado a ser o chefe da nação de RÚSSIA 2 após a morte do antigo Gonvernador, e o foi imposto um consenso no Reino Gnomisticos, assim estabelecendo a paz no arquipélago que perdura até hoje.
Obrigado por ler.
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2020.06.08 05:12 Drogarys Dormi 3 noites no meu apartamento.

Eu passei na faculdade em São Paulo, e sendo eu de uma cidadezinha de interior de outro estado, não deu tempo de ir para lá com muita antecedência e planejamento quanto ao início das aulas. Felizmente, uns primos aceitaram me acolher por um tempo até que eu conseguisse um apartamento, ou conhecesse alguém que topasse dividir, afinal, São Paulo é caro pacarai. As aulas começaram, eu comecei a tocar interfone por interfone dos prédios perto da universidade, entrei em N sites de aluguel de apartamentos, grupos de Facebook e tudo mais que dava pra ser feito. Até que um dia eu descobri que uma menina com quem eu tinha feito cursinho tinha passado na mesma faculdade e estava na mesma situação que eu, ou quase. Ela já tinha encontrado um apartamento, mas estava procurando alguém para dividir, e como ela já me conhecia, seria o plano perfeito! Fiz mais algumas pesquisas, mas minha decisão já estava quase tomada, então não demorei para aceitar. Feito isso, começaram os novos desafios: fazer a mudança. Ela já tinha alguns móveis, então comprei uma cama e minha mãe levou minhas coisas da minha cidade, me ajudando tanto que conseguimos terminar de arrumar o lugar numa terça feira. Estava tudo perfeito. Quarta eu enchi a geladeira, comprei tomates. Sexta comprei uma passagem de ônibus para a minha cidade e tinha a intenção de voltar no domingo. Mas a passagem de volta nunca foi comprada, uma vez que chegando em casa recebi a mensagem de que as aulas estavam suspensas devido ao coronavirus. A minha colega de quarto também voltou pra cidade dela. Não esperávamos que a quarentena duraria tanto, mesmo com esse asno que temos como presidente. Mas estamos até hoje nessa situação. Desse modo, estou há 4 meses pagando um aluguel com o único propósito de custear um teto para meus pobres tomates que estão apodrecendo sozinhos na geladeira, já que dormir lá eu só dormi 3 noites.
Detalhe: com as aulas online, comecei a perceber que aquele curso talvez não seja para mim, então estou pagando aluguel para segurar um apartamento para o qual eu talvez nem volte.
Resumo: mudei para um apartamento e 3 dias depois voltei para a minja cidade natal onde estou passando a quarentena.
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2020.06.05 04:58 Nonsense_09 Processo de auto aceitação da própria sexualidade

Me identifico como bissexual, mas nunca fiquei com um com um homem, pra dizer a vdd sei que a sexualidade é algo muito particular de cada pessoa e eu sinto atração mais forte por mulheres mas na vdd as vezes isso me parece ser mais fluido... bom meu processo de descoberta começou na minha infância com umas admirações por alguns homens em novelas/filmes (eu não sabia a palavra crush na época mas não sei se da pra considerar pq eu não me lembro de ter intenções românticas) era coisa bem isolada e eu não dava atenção a isso pq eu não tinha essas intenções na época e tbm eu já tinha dado meu primeiro beijo bem novo mesmo com a filha da vizinha então não tava me preocupando com essas coisas não sabia nem o que era sexo tão pouco orientação sexual, já na adolescência foi quando comecei a perceber que eu tbm notava os meninos com menos frequência que as meninas mas sempre tinha um ou outro que me chamava a atenção, cheguei a ter crush em um amigo meu e até em alguns de outras turmas mas eu era religioso dms então eu reprimia e ia atrás das meninas mesmo, acabei tendo contato com pornografia nessa época (sei que não é uma coisa boa mas hoje em dia é quase impossível não ter contato com isso) e foi justamente aí que fui desenvolvendo um fetiche em ficar com rapazes o tempo passou eu comecei a me interessar cada vez mais pelos vídeos gays/bi mas sempre tento abandonar mais esses conteúdos (porno no geral não acho que isso seja saudável para a vida sexual mas é difícil não entrar em contato, sempre acaba aparecendo em qualquer lugar) aos meus 19 anos perdi minha virgindade com uma mulher mais velha que eu e desde então comecei uma vida sexual mais ativa, atualmente eu tenho 21 anos e já tive vários relacionamentos mas sempre com meninas e claro tinha receio de falar sobre isso com elas devido preconceitos que posso sofrer, eu já até cheguei a trocar nudes com um rapaz de outro estado que conheci pelo instagram mas não passou disso, eu me sentia errado por fazer isso, mas quando eu tava com uma menina eu não me sentia mal, é isso que mais me atormenta eu ser bi mas não consegui ficar 100% de boas com isso...
Tenho muitos problemas com a identificação e uma auto aceitação de minha sexualidade, e faz um tempo que comecei no reddit e ja vinha com uma vontade de pedir ajuda nessa questão, justamente pelo anonimato acho mais tranquilo me abrir sobre isso, como cresci em uma família muito religiosa, sempre me foi ensinado que tudo que não fosse hetero é errado e vai pro inferno que era uma abominação... e apesar de hoje eu ser agnóstico eu ainda tenho essa mentalidade que muitas vezes fica me torturando, é um processo complicado mas pra ser sincero eu não tenho muitas pessoas pra me abrir nesse tema pq tbm tenho receio dos meus amigos/as se afastarem de mim e eu virar motivos pra fofocas e humilhação, a unica pessoa que tive coragem de assumir isso sobre mim foi pra uma amiga que é Pansexual ela foi compreensível mas mesmo assim nem sempre converso com ela sobre o assunto, eu sou muito fechado em algumas coisas e essa é uma delas, mesmo com tudo isso as vezes me pego pensando e tentando me convenceu de que na vdd sou hetero e isso é só uma fase que vai passar, bom realmente eu não sei muito o que fazer mas não me sinto bem não me aceitando e constantemente tentando não transparecer nada pra ninguém, essa repressão se aplica só a mim mesmo eu até me encorajo a me aceitar mais quando vejo pessoas que são bi e tão de boas com isso, mas pq mesmo as vezes falo pra mim mesmo que sou bi e que é de boas mas dps me pego me reprimindo novamente... é isso ;-;
Bom infelizmente sei que não sou o único e provavelmente existem casos parecidos com o meu e eu tbm tenho a intenção de ajudar quem tá na mesma situação por isso decidir fazer esse post, então a discussão/(ajuda tbm) que eu gostaria de fazer é: - Como foi o processo de aceitação de vcs? - O que ajudou a superar a mentalidade anti-lgbt contra si próprio/a? - vocês que passaram ou estão passando por isso tem alguma dica pra ajudar? Algo que ajudou vcs?
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2020.05.03 09:01 jessicansada Quero ler as teorias de quem acompanha esse subreddit e, assim como eu, acha esse caso revoltante e intrigante ao mesmo tempo.

Vou deixar minha teoria do que realmente aconteceu na Guaratuba de 1992, sei que isso já foi muito discutido por aqui, mas me peguei tão viciada nesse caso que não consigo parar kk
Também quero ler as teorias de vocês, por favor se puderem deixar suas opiniões vou adorar!
Então vamos lá: Ao meu ver, nos casos Leandro e Evandro não houve NENHUM assassinato, mas foram cometidos muitos outros crimes por parte de políticos, militares e outras autoridades da época. A verdadeira máfia por traz do rapto dos dois meninos (e talvez outras crianças) saiu impune pois as atenções foram totalmente desviadas pros 7 acusados... Vou tentar explicar em ordem, o que pode ter acontecido a partir do ano de 1992:
1 - Inicialmente os garotos foram vítimas de uma rede de tráfico infantil, esse negócio era muito lucrativo e era fácil driblasubornar as autoridades na época. Antes de cada rapto foi retirado do IML corpos de crianças da mesma idade pra serem plantados em determinado local afim de forjar todo um cenário de assassinato (pra investigação não cogitar se tratar de tráfico humano). Mas posteriormente o corpo que foi plantado para ser de Leandro foi constatado que era uma menina vestindo uma cueca, já no caso Evandro no local foi encontrado chumaço de seu cabelo e as chaves de casa próximo ao corpo (obviamente uma cena montada), seu cadáver maior e mais velho, além disso foi retirado mãos, pés e escalpo do cadáver pra dificultar exames de DNA que provariam que aquele NÃO era o Evandro.
2 - Com as duas crianças raptadas e levadas pro exterior e os cadáveres plantados, assim se inicia um dos casos mais polêmicos e controversos do Brasil
3 - Nesse cenário surge Diógenes e uma suposta testemunha ocular (que acredito q tenha sido convencido pelo mesmo a depor contra as Abagge), não era segredo que Diógenes tinha um “ranço” antigo dos Abagge, envolvendo família e política. Então diante do suposto corpo de Evandro encontrado Diógenes se aproveitou disso pra criar a teoria do Ritual de magia negra, pois ele sabia que Beatriz Abagge frequentava o centro Umbanda de Osvaldo (deixando claro aqui que NÃO acredito que Diógenes tenha algo a ver com o rapto dos meninos, “apenas” se aproveitou da situação pra se vingar da família Abagge e inflar seu ego, pois ele gostava da atenção recebida. Ou ele pode sim estar envolvido no sumiço, sei lá não ponho a mão no fogo por esse homem nunca!)
4 - Diante das acusações entram os militares, grupo Tigre que recebe confissões dos acusados através de torturas físicas e psicológicas. (Lembrando que a violência utilizada não era nada pessoal, foi feita a fim de obter confissões rápidas e fechar logo o caso pra sairem como os heróis, uma grande covardia repetida até nos dias de hoje)
5 - Os exames de DNA no corpo indicaram por 2 vezes que o cadáver não é Evandro.
Algo que fica muito óbvio pra mim é que Diógenes, com suas mágoas e preconceitos INDUZIU ao erro toda a investigação, de forma totalmente irresponsável. Com o passar do tempo já era tarde demais para o estado voltar atrás e corrigir as inúmeras falhas causadas por uma sucessão de erros. Nunca dariam o braço a torcer, sempre varrendo a sujeito pra debaixo do tapete.
Por fim, Acredito sinceramente que Evandro e Leandro estão vivos em algum lugar desse mundo, tendo sido arrancados cruelmente de suas famílias e marcando profundamente a vida de cada pessoa envolvida nesse caso construído em cima de tantas mentiras, corrupção, orgulho, busca por poder e vingança. Me dói o coração imaginar o sofrimento dos pais dessas crianças, que até nos dias de hoje buscam alguma resposta, pois sem sombra de dúvidas, esses são os ÚNICOS inocentes dessa história. São tão vítimas quanto Leandro e Evandro.
(Uma curiosidade é que em entrevista o pai de Leandro disse ter certeza que o filho está vivo e ainda nutre esperanças de encontrá-lo. Outra curiosidade é que muitas pessoas acreditam que os meninos foram vítimas de tráfico de órgãos, mas não creio nessa teoria.)
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2020.03.24 10:33 UmHomenArrependido A vida passa e não consigo me desligar de um amor não vivido...

Sinceramente estou em agonia e total desapego a vida, não tem nada que me faça querer viver, não sei nem mesmo qual a intensão real que eu tenho em "desabafar" tudo isso... talvez apenas queira uma opinião ou um incentivo para terminar com tudo isso...
Tudo começou ah muitos anos atras, eu estava no colégio e acabei me apaixonando pouco a pouco por ela... fui percebendo que alem de linda, perfeita aos meus olhos, ela era inteligente, interessante e divertida... nós éramos amigos, quer dizer, eu fui me aproximando dela inicialmente porque achava ela interessante mas com o passar do tempo eu estava sentindo que precisava me declarar... mas eu era tímido e sentia um medo terrível de rejeição, mesmo sendo provavelmente o cara mais "badass" do colégio aquilo era algo que me dava medo, nunca tinha se quer beijado ninguém e havia muita pressão naquela época, mesmo eu tendo apenas 14 anos, mas minha vontade era maior que o medo e eu estava decidido a chegar nela... como eu não queria fazer nada errado resolvi perguntar a minha mãe oque eu deveria fazer, meu pai nunca foi uma referencia em nada na minha vida, foi ai que descobri, abruptamente, que iriamos nos mudar para uma cidade muito distante e em menos de duas semanas... eu não podia fazer nada naquela época então decidi desistir e tentar esquecer. Lembro me como foi doloroso e angustiante me despedir dela, minutos antes de eu ir embora, chorei muito apos sair da casa dela...
O tempo passou, e nos anos seguintes eu não conseguia me interessar por ninguém, claro que sentia atração pelas meninas que até me cercavam as vezes mas nunca consegui despertar um interesse maior nelas, sempre ficava aquele sentimento de que eu havia perdido algo que não poderia mais recuperar, os poucos que tinham alguma noção sobre meus sentimentos achavam que eu estava criando expectativas e ilusões e que era questão de tempo até eu deixar de pensar nela... eles estavam errados, eu não ficava imaginando coisas, montando estorias na minha cabeça ou pensando nela dia e noite... simplesmente era algo que ocorria naturalmente... eu saia com alguém e por mais agradável que fosse era com ela que eu sonhava, sem se quer ter pensado nela, se quer ter mencionado seu nome ou feito qualquer comparação... foi então que resolvi entrar em contato com ela novamente mas não era fácil conversar sem me expor e acabar estragando tudo... eu tinha um plano, precisava me aproximar novamente e ver se havia alguma chance para mim, foi então que uma grande desgraça aconteceu, não entrarei em detalhes sobre isso mas devo ressaltar que ela ficou sabendo que eu gostava dela de uma forma muito ruim, estranha e assustadora, não foi minha culpa, percebi então que não havia mais oque esconder, meus planos eram inúteis e obsoletos e eu precisava agir... não obtive uma resposta positiva, não foi um não completo mas era um não, me deixando claro que estava na terrível zona de amizade e que ela não queria estragar nossa amizade... mas para mim não havia mais volta, não era apenas a amizade que eu almejava... mesmo com um não eu não me abalei , pensei que poderia tentar voltar aos planos de me aproximar dela, consegui um lugar para ficar e um trabalho na cidade dela, pensava que se eu volta-se a ter contato talvez pudesse concertar as coisas, naquela época eu era confiante e minha timidez tinha sido extirpada já que não havia nada mais a esconder.
Me lembro claramente de quando me encontrei com ela para conversarmos pessoalmente após três anos afastados, do sorriso encantador estampado em seus lábios ao me ver, após uma longa conversa ficou claro que ela não sabia oque queria, que nunca tinha pensado em mim como nada além de um amigo e que não podia me dizer um sim ou um não naquele momento, ficamos de nos falarmos nos próximos dias, mas sempre que eu ligava ela não estava ou estava ocupada, comecei a perceber que talvez eu fosse um incomodo e eu não queria ser... mas foi em uma noite que eu pude ver claramente toda uma mentira no ar, alguém que atendeu o telefone, não era ela, ficou desesperado sem saber oque me falar e desligou na minha cara, acreditando que a ligação havia caído eu resolvi ligar novamente e outra pessoa atendeu o telefone e me disse que ela havia ido dormir com dor de cabeça... foi quando percebi que realmente era um incomodo e assim resolvi me afastar, eu amava ela de uma forma que nem mesmo eu podia compreender e por isso deveria respeitar a decisão dela... me lembro de ter encontrado com ela algumas vezes mas em apenas uma tenho a certeza de que ela havia me visto, e ficado observando, ainda assim segui minha vida, tentei por anos encontrar alguém, ter um relacionamento e nunca fui atrás de informações sobre ela.
Minha mente parecia vazia mas meu coração não demonstrava ter espaço para ninguém, eu sempre senti medo de me encontrar com ela novamente, fazia o possível para escapar dessa possibilidade, mas um dia ela começou a passar na frente do meu trabalho, diariamente, e isso começou a me incomodar... eu tinha um sentimento estranho por ela, era um vazio, como se uma parte de mim morre-se cada vez que a via passar, certo dia ela me viu mas não teve certeza se era eu mesmo, então começou a mandar pessoas para ter uma certeza, muita coisa estranha começou a acontecer, uma mulher que eu nunca havia visto começou a pedir informações sobre mim, dizendo que estava interessada, eu logo descobri que era uma amiga dela, pessoas começaram a tentar se aproximar de mim e de alguns amigos, todos conhecidos dela e todos sempre dando indiretas que queriam me conhecer, certa vez alguém disse a um amigo meu que queria me apresentar uma amiga muito bonita que estava solteira, eu não sabia oque fazer, não sabia oque eu sentia mais, tudo que eu sentia por ela estava me matando, eu tentei me afastar novamente, tinha medo de me encontrar com ela, de me aproximar dela, ao mesmo tempo que ainda sentia algo que eu nunca pude explicar ou entender de verdade... pouco tempo depois, sem eu nunca ter pedido pela informação, fiquei sabendo que ela havia tido muitos relacionamentos ruins e desilusões, que ela se arrependia de não ter dado uma oportunidade para alguém que ela tinha conhecido no passado e que ela gostava dessa pessoa até aquele momento...
Eu sinceramente não tinha uma resposta pronto para isso, meu cérebro não conseguia processar se aquilo era bom ou ruim pois era uma grande mistura de sentimentos, de todos os tipos, eu não tenho certeza se entrei em depressão ou se estava em choque, eu simplesmente não conseguia digerir aquilo, por um lado parecia algo bom mas pelo outro era algo terrível, se aquilo tudo fosse verdade eu seria apenas uma "ultima opção" ou talvez eu tivesse tido sido um trouxa, eu simplesmente não sabia oque pensar... e assim eu me fechei para o mundo, e de fato acho que entrei em depressão, eu passei três anos em um estado critico, sem a menor vontade de fazer nada da minha vida, parei de sair, parei de fazer coisas que eu gostava, me afastei ao máximo de tudo... naquela época eu ainda sentia prazer em algumas coisas, me sentia um merda mas tinha alguma "esperança" ou pelo menos eu acreditava que poderia vencer na vida... apos esse período eu me sentia livre, vazio mas livre, ainda assim eu não tinha vontade alguma de socializar, acabei me aproximando de uma amiga e ela demonstrou algum interesse e isso parecia estar me revivendo, mas foi apenas um período um tanto doloroso, eu me sentia bem e mal o tempo todo, mas nunca me senti tão apaixonado quanto da outra vez, sentia que eu estava morto por dentro, bom, esse relacionamento não deu certo, tentei outro em seguida que também não deu em nada, então desisti, percebi que eu não tinha a habilidade de amar ou de gostar de alguém...
Assim começaram os "pesadelos", sem a menor razão comecei a sonhar com "ela" novamente, após anos sem nem se quer tocar no nome dela, sem nem se quer pensar nela, lembrar dela, quer dizer, as vezes acontecia mas nada voluntario e ainda assim era algo realmente raro, isso começou a cerca de dois anos, e cada vez mais esta mais presente no meu dia a dia, eu tenho sonhos com ela, quase tudo me traz ela a mente, lembranças ocorrem o tempo todo, e eu me esforço para não pensar nisso mas é involuntário, os "sonhos" são os piores, acordo aflito como se estivesse num pesadelo terrível, geralmente sonho com encontros casuais com ela, nos quais nos conversamos sobre o relacionamento que nunca existiu e dos erros que cometemos na vida... eu não sou aficionado por ela, nunca procurei saber nada sobre a vida dela, nunca pesquisei rede social alguma dela e procurei me afastar de todos os locais onde eu poderia encontrar com ela, apenas não mudei de cidade pois não tive a oportunidade ainda e não sei se resolveria também...
Nesses últimos anos tenho percebi quanto eu errei na minha vida, quantas vezes minhas decisões afetaram drasticamente a minha historia, percebi que sou um inútil e que nada que eu tente ira dar certo, não tenho vontade alguma de viver, não tenho prazer algum em nada, todos os sentimentos passaram a ser efêmeros, tento me distrair fazendo coisas que antes me davam prazer mas nada me satisfaz, não durmo direito, quando durmo, quase sempre, tenho pesadelos com ela, estou me envenenando com comida, tentando me auto destruir, não tenho vontade de sair na rua, nada... o único sentimento que persiste é o de ter falhado em tudo e que a unica coisa que realmente me importou e que realmente eu desejei com todas as minhas forças foi ter sido correspondido em meus sentimentos por ela, eu não quero esse sentimento e não sei mais oque fazer...
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2020.03.14 07:54 FacchiniBR Domingo os Backstreet Boys farão show no Allianz Parque para 55 mil pessoas, e isso só me prova cada dia mais como o brasileiro médio merece o país lixo que têm e as empresas fortemente não se importam com nós. Please come to Brazil my ass.

Edit: o show foi adiado. Uma conhecida postou uma foto no hotel que ela trabalha em SP com a produção dos caras chegando (pros curiosos, Hotel Emiliano, e também pros curiosos a produção está lá e não a banda, a banda está no ‘4 estações’.), e ela trocou uma breve ideia com um dos caras e eles disseram que só descobriram da situação em SP ao chegar em SP, inclusive questionaram ela sobre muita coisa, se soubessem disso antes teriam já informado de imediato. No mesmo minuto decidiram adiar para setembro/novembro, avisaram a banda e os caras nem questionaram, dizendo que infelizmente para o bem de todos é o melhor a se fazer. Para as fãs e os fãs, capaz que seja fácil encontrar os caras perambulando por SP, já que deram uns roles pelo RJ ontem mais cedo de havaianas e tudo. Kudos pros caras, infelizmente eles não sabiam pois não foi passado, ao descobrirem já adiaram e ponto final.
Ano passado, eu e minha esposa compramos os ingressos pois é uma banda que ela gosta desde a adolescência, até aí tudo bem, tenho 32 anos e já paguei pra ir em coisas muito piores na minha vida.
Hoje o governador proibiu eventos com mais de 500 pessoas, declarou fechamento de escolas e tomou várias medidas pra evitar maiores contaminações.
O show teve 55 mil ingressos vendidos.
O que a empresa organizadora fez?
Um cara chegou a falar que vai ligar na Polícia e falar que tem uma bomba no estádio e mandaram ele parar de ser invejoso pois não conseguiu comprar um ingresso e quer estragar o show dos outros.
Pessoas estão vindo de outros estados onde nem casos de Covid-19 foram reportados até o momento, eu tenho certeza que quinta feira vão ter confirmações até no Acre, tem gente dentro de ônibus vindo pra cá já. Uma menina de rondônia falou que ia pra chácara de uma amiga passar o fim de semana e tá vindo pra SP ver o show.
A pior parte é que a empresa organizadora (Live Nation) cancelou TUDO ao redor do mundo, somente esse show foi mantido. Cancelaram o Coachella, mas o Brasil que se foda.
Eu estou extremamente puto, são 3:45 da manhã e isso está comendo minha mente que tive que levantar da cama pra soltar esse rant, e tenho uma reunião seríssima logo cedo.
Desculpem pelo textão, mas acredito que aqui seria o único lugar onde eu poderia escrever tudo isso.
Se daqui 15 dias não tiverem casos em outros estados, o biotônico e as balinhas de própolis de nossa infância realmente não eram simpatias.
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2020.01.29 04:43 Donovam777 Desabafo, pois estou sem esperança.

Venho aqui escrever pois não tenho com quem me abrir e conversar. Estou em vias de me divorciar e não sou eu que queria essa situação. Agravando a situação ocorre que envolve crianças no meio, minhas duas filhas "do coração", oriundas da relação anterior da minha.... futura ex- mulher e a minha nanica de 4 anos, filha esta dos meus testículos. Não me orgulho do que fiz recentemente pois considero humilhação o que me fiz passar, tentando tratar, reconciliar, cedendo tudo que não cedo quando "ainda casado" - sair, passear, ficar mais perto, ser mais generoso. Eu sei o que errei, sei que não sou santo, mas a minha não-santidade resume em não oferecer a outra face como Jesus ensinou; porra! Se me agrediu, eu vou te agredir também! Confesso que nunca foi uma relação saudável mesmo: não sou profissional do ramo mas desconfio que ela tinha ciúme patológico. Fez-me livrar de amigas, contatos no Facebook (hoje já não tenho pois não ligo), bloqueio no whatsapp de amigas. Ela não se contentava com nada, cada vez exigia alguma aberração nova. Queria cercear minha liberdade com quem eu falava (geralmente mulher, pela obviedade da situação, mas também havia com homens, amigos, por julgar que eles iriam me lembrar de outras mulheres). Para piorar a situação ela tinha pleno acesso ao meu celular e contas de redes sociais (não eram tantas, mas tinha). Junto com isso havia o desrespeito até mesmo com os próprios pais, algo que eu nunca engoli direito, mas ainda assim, embarquei nessa empreitada sem futuro ("porra! Ela não respeita o pai e mãe, vai respeitar quem??!") Minha filha nasceu e as coisas realmente desandaram (ok, isso ainda era possível) pois ficamos desempregados; somos veterinários, a época trabalhava com clínica e quem sabe que nesse ambiente é o famoso contrato de pé e bunda: vc entra com a bunda e o veterinário dono entra com o pé. A hora que quiser. O pai dela ainda trabalhava muito e a mãe aposentada, ajudava ( por que não dizer que sustentava aquela casa?) Minha mãe também, em menor escala, ajudava. Passamos necessidades sérias a época: Lembro com muita dor o pai dela dando 300 reais para a gente passar a semana. A gente desesperava quando ele não vinha de outra cidade. Preciso lembrar que havia criança no meio? Lembro também de nós (até então 4, pois a minha filha estava na barriga) atravessar metade da cidade a pé pois não tínhamos dinheiro do ônibus para ir almoçar na casa da minha mãe. Tempo terrível e que infelizmente não serviu para solidificar uma relação. Apesar de tudo, eu ainda amava aquela mulher! Daí um milagre (acredite você ou não, toda liberdade a você meu querido!) aconteceu e eu passei em um ótimo concurso público e hoje sou servidor público federal e pelo menos, hoje, nessa casa, tem dignidade de ter comida todo dia (até um relativo luxo!) Eu era a base da casa, pois mudamos de estado e a cidade que estou lotado é pequena e interiorana. Eu pagava todas as contas possíveis pois ela estava desempregada (nada mais justo, nunca me queixei, só esperava, como todo bom companheiro, que ela arrumasse uma colocação, seja pela sensação de utilidade, de ganhos financeiros, etc). O pai biológico das mais velhas é mais um da estatística que assola nosso país e há muito não dá nenhum tostão para as meninas. Queixava-me sim, não por mim, por elas; podia ser uma miséria, mas era delas! Que seja. Isso não é o problema. A gota d'água para minha mudança de comportamento com essa minha... Dói até escrever... foi quando a minha mãe, meu irmão, a namorada dele e filha da namorada dele vieram até aqui nesse estado me visitar: ela fez um papelão pois não queria receber essa namorada do meu irmão pois a julgava indigna. Quanta besteira! Eu não preciso de provas por que para mim ela não queria receber ninguém! Nem a minha mãe, nem meu irmão. A namorada dele era só o bode expiatório da situação para ela ter a liberdade de tratar a minha família como lixo. Sabe o agravante??? Os pais delas já estavam aqui, e eu, por ter até prazer em recebê-los, nunca os destratei. Sempre que pude os agradei. E ela, avisada, solicitada e bem conversada optou por tratar mal minha família. Sabe quem inclusive pediu para que ela "relevasse" a presença dessa companheira do meu irmão??? Os próprios pais (que nunca foram respeitados por ela, ao meu ver). Claro! Estavam extremamente sem graça pois eu os recebia bem. Logo, na pior das hipóteses, não poderia destratar minha família. Desse episódio em diante, eu realmente mudei meu padrão de comportamento com essa mulher. Eu tinha mágoa do que ela havia feito. Nunca houve se quer reconhecimento pelo o que eu já havia feito. Abraçar as meninas como se fossem minhas sem pestanejar, tratar bem os pais, cuidar de todos, etc. Cara! Como isso doeu e dói. Mudei meu comportamento sim. Fui muito guiado por mágoa e fiz algumas atitudes que não me orgulho (não pense que agredi fisicamente ou moralmente ou traí com outra pessoa, nada disso). Sinto remorso demais do que me tornei. Eu me distanciei, evitava sair junto pois tudo me remetia aquela visita de minha mãe e irmão (nunca conheci meu pai e ele já faleceu sem querer me procurar, logo vcs podem imaginar o quanto mais minha mãe vale para mim, certo? Meu irmão é bem mais velho que eu e me financiou quando pequeno para eu ter uma boa educação. Ela sabia da importância dessas pessoas na minha vida e ainda assim, avisada, optou por destrata-los) Sei que um erro não justifica outro, mas poxa! Sou humano! Como eu ia manter minha postura de bom marido na relação quando a única vez que ela poderia ser necessária e honrar minha família assim como eu honro a dela, ATÉ HOJE! (Os pais delas estão aqui visitando e eu, naturalmente, sinto prazer em recebê-los)?? E ela não o fez. Isso sim desgastou a nossa relação (pois estranhamente ela não se arrepende do que fez e nunca pediu desculpas). A situação financeira não era a pior mas ainda assim cabia espaço, digamos, para melhorias. Tenho vergonha de dizer quanto eu gasto com supermercado para tratar de todo esse povo pois sei que muitas famílias não recebem esse valor por mês. Isso era outro fator de atrito e um dos que mais me fez ter remorso do que fiz com ela, apesar dela ter feito tudo o que fez. Tentando resumir e falhando miseravelmente ela há pouco conseguiu um bom emprego e , quando a gente poderia decolar (era meu sonho) ela optou por descarregar todo o ódio e rancor que tem em cima de mim. Não viu meu lado, não viu o lado das meninas. Os pais, como havia dito, nunca tiveram voz. Aliás ninguém nunca teve. Tentei me redimir, mesmo sabendo que não fui o único a ser o mal na relação, mas não surte efeito algum. Eu me pego por vezes me debulhando em lágrimas por ver que eu estou perdendo 5 anos de minha vida (exceto a minha pequena, coisa mais linda da minha vida) e que a única vez que eu me entreguei de corpo e alma a alguém, esse alguém friamente e com uma pedra no lugar do coração, descarta tudo, inclusive minha tentativa mais pura de reconciliação. Meus dias serão enormes sem a presença diária das meninas; não estou apto a tentar outra vida amorosa. Estou me sentindo perdido, um lixo. Estou longe de todos que eu já tive intimidade e ela era a coisa mais próxima de família que tinha. Eu não tenho nem com quem conversar. Hoje"foi" o aniversário de 4 anos da minha miudinha e ela me flagrou chorando. Para me quebrar ela chorou junto e, com a inocência dela disse que iria guardar um pedaço de bolo de baleia para mim quando voltasse. Isso me arrebentou o coração e eu não paro de chorar pela atitude da minha pequena flor. Tenho vontade de urrar feito um animal pois soluçar não mais resolve. Tempo ruim.
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2020.01.13 12:30 AntonioMachado [2012] Oliver James - Como desenvolver a inteligência emocional

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2020.01.09 03:21 dns-silva Eu queria meu amigo de volta

Sabe quando uma pessoa, que há algum tempo era tua metade, teu amigo pra tudo, aquela pessoa que fazia teu dia melhor e menos pesado, do nada, vira um estranho? Bom, como que eu vou explicar mais ou menos isso? Vamos lá. Eu tinha um amigo, há uns 2 ou 3 anos atrás, com quem passei boa parte do tempo convivendo. Olhando assim, eu acho que o meu eu de 7 anos atrás nunca diria que seríamos amigos. Éramos diferentes em tudo. Gostos, "classe social", hobbies, grupo de amigos e etc. Um belo dia comecei a conversar com ele sobre alguns filmes que gostava, e achamos coisas em comum nisso. Ele me indicou filmes e séries, e eu fiz o mesmo, e desde então, eu e ele sempre tínhamos muito assunto para conversar. Animes eram o ápice da conversa, e ele sempre me falava sobre One Piece e o quanto o anime ficava bom no 653° episódio. Isso tudo em 2014. Eu havia perdido meu pai em 2011, e meio que acho que nunca superei esta perda. Em 2014 eu encontrei uma caixa aqui em casa, com fotos, anotações e etc que pertenciam ao meu pai. Desde esse dia eu fiquei muito tocado e passava o dia quase inteiro pensando nele. Meu pai era um homem muito bom pra mim e eu tenho certeza que se hoje ele fosse vivo, estaria orgulhoso do filho. Nessa época eu estava descobrindo minha sexualidade, mas meio que tinha muita vergonha de assumir ser gay no meu círculo de amigos e isso ser motivo de piada e chacota. Esse meu amigo não, um dia resolvi contar para ele e a reação dele foi de me apoiar, e de dizer que ficava feliz por eu ter finalmente me encontrado. Ele sempre foi um cara muito bom. A gente passou 2 bons anos convivendo todo santo dia no colegial. E por mais que a gente não fosse tão igual, ele sempre fazia questão de me incluir em todas as saídas da turma dele, de me enturmar e fazer eu ter mais amigos e ser menos antissocial. Minha família não tem muito dinheiro, e as vezes ele me emprestava dinheiro para ir ao paintball ou cinema com o pessoal. Eu falava com ele sobre absolutamente tudo. E ele me ouvia e me entendia. Nem sempre tinha uma resposta pronta pra me dar, mas sempre me dava conselhos que eu sei que eram pro meu bem. Ele também sempre me confiou muitos segredos, e eu sempre fui 100% sincero com ele em tudo. Um dia, em 2015, ele começou a namorar uma garota da turma. De início tudo mil maravilhas, a dupla virou trio e eu virei vela, mas nem me importava, eu agora tinha dois melhores amigos. Eu nunca havia falado pra namorada dele sobre minha orientação sexual, por vergonha, mas um dia, em uma brincadeira, ela me perguntou e eu falei sobre ela. Ela achou legal, disse que sempre quis ter um amigo gay. Só que dá água pro vinho, em questão de semanas, ela começou a mudar comigo. Me ignorava, falava coisas ruins sobre mim, sobre eu querer roubar o namorado dela e dizer que eu gostava dele. Eu nunca gostei desse meu amigo em relação amorosa. Ele sempre foi como um irmão pra mim. Foi quando chegou o momento que eu mais temia, ela praticamente fez ele escolher entre o amigo e a namorada. Ele, óbvio, escolheu ela, mesmo dizendo que não faria essa escolha. A gente quase não se falava tanto quanto antes, ele se estressava comigo mais fácil e eu acabei entrando em uma depressão. Voltei a ser um cara introvertido e calado. Não saía mais com a turma, não participava das rodas de conversa, tudo por que eu sentia o olhar ruim da menina que ele namorava sob mim, e as vezes ouvia as coisas que ela falava sobre mim pros outros. Quando o ensino médio acabou e fomos pra faculdade, nós nos distanciamos, eu e meu amigo, e consequentemente eu e a tal namorada dele. Estamos na mesma faculdade eu e ele, mas em cursos e turnos diferentes. Eu as vezes vejo ele no corredor, ou passando por algum auditório. Eu as vezes vejo as postagens do casal no insta dele. Mas faz tanto tempo. Isso tudo eu passei em 2016, e de lá pra cá eu tenho estado tão sozinho que só agora me deparei com a nova "imagem" que minha mente criou dele. Olhando fotos antigas, me pergunto se realmente aquilo tudo foi real, e eu um dia tive um melhor amigo. Eu acho muito bonito, sabe? Duas pessoas, independente do sexo, serem amigas a ponto de poder contar com aquela pessoa para o que der e vier. Eu queria muito poder um dia conversar com ele de novo. Falar sobre como eu me sinto, mas isso é quase impossível. Ele agora trabalha , tem uma rotina corrida e os velhos amigos da turma são os únicos amigos do passado com quem ele ainda sai, visita, conversa. Soube que até tem um grupo no whatsapp. As vezes eu acho que eu não existi ali naquele meio. Não sei se realmente me importo, mas é como se eles tivessem me apagado da memória. E o que mais me dói, é que eu sinto que ele também me esqueceu. Lucas, se um dia tu ler esse relato, eu queria dizer que sinto muito pelo que nossa antiga amizade se tornou. Talvez tenha sido minha culpa. Eu sinto muita, muita falta mesmo de ter alguém pra conversar as vezes. Eu tenho sonhado algumas noites com cenas daquele tempo. Com as vezes que eu chorei por causa de crises familiares e tu tava ali, do meu lado pra me dizer algo que me ajudasse . Eu não sei se um dia eu vou ter um melhor amigo de novo. Eu queria muito. Mas eu espero, de verdade, que tu esteja e seja muito feliz na tua vida toda. Bom gente, é isso, obrigado por me lerem.
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2019.12.17 01:32 lilvalgreen Síndrome do Pânico

Todos sabemos que só existe uma coisa inevitável, a morte. Como você se sentiria pensando nisso 90% do seu tempo?
Essa é a minha realidade, e possivelmente a de muitas outras pessoas. Desde pequeno eu era muito ansioso, isso me atrapalhava mas nada grave, as coisas ficaram realmente ruins no meu primeiro emprego/estágio da vida. Eu havia me tornado Analista de Sistemas em uma empresa nacional muito valorizada, na época considerada a melhor empresa para se trabalhar no meu estado via indicativos de satisfação dos colaboradores registrados pela GPTW (Great Place To Work, ou em português, Grande Lugar Para se Trabalhar).
Sou diabético desde os 3 anos por uma disfunção, isso me faz parar no hospital diversas vezes durante minha infância, meu irmão mais velho também é, então creio que não sofri como ele por ter sido o primeiro. Ao começar no trabalho eu comecei a me sentir um pouco estranho, sofria de pressão baixa e não sabia (provavelmente por causa da diabetes descontrolada), trabalhava em meio ao ar condicionado (na direção dele) e a saída do trabalho era em uma praça muito quente. Eu também trabalhava no 19º andar e creio que toda essa mudança térmica e de altitude culminava em impactos diretos na minha pressão arterial.
Comecei a desenvolver uma certa alergia ao ar condicionado, sentia dores no peito, constantemente meu nariz entupia, sentia um gosto estranho na boca, sentia tontura por causa da pressão baixa, sonolência pois não dormia direito, estagiava pela manhã e de noite ia para faculdade (do outro lado da cidade). Sentindo falta de tempo para ir ao médico, comecei a consultar o "Dr. Google" onde quase todas as pesquisas de sintomas te revelava as piores doenças possíveis (câncer e por aí vai).
Me tornei hipocondríaco, creio que depois disso comecei a sentir coisas que eu nem estava de fato sentindo, era psicológico e cada vez mais eu me convencia que estava morrendo. Ao me abrir com os meus pais eu desabei, disse que pediria demissão, largaria a faculdade e que ia cuidar de mim mesmo. Após muitas conversas e indo contra a vontade de meu pai eu larguei "o estágio dos sonhos", porém continuei na faculdade (eu era bolsista do PROUNI).
Apesar de ir ao médico eu não fazia qualquer tipo de terapia ou visitava o psiquiatra, apenas fiz uma bateria enorme de exames (inclusive neurológicos), até me convencer que eu não estava doente. Porém não fazer terapia tinha sido um erro, pois eu tinha alguns ataques de ansiedade isolado, mas na época ainda não sabia dizer do que se tratava.
2 a 3 meses após deixar o estágio, durante a uma conversa normal com os meus colegas de faculdade eu tive uma crise de estresse misturada com ansiedade que elevou minha pressão do normal dela 10/6 para 19/12. Nesse dia eu quase desmaiei e foi terrível, graças aos meus amigos a Bombeira que trabalha na faculdade me salvou entrando em contato com meus pais e me encaminhando para o Pronto Socorro da Unimed, onde após vários exames cardiológicos fui diagnosticado com um caso de estresse excessivo.
Depois disso minha vida nunca foi a mesma, desenvolvi síndrome do pânico e fui posteriormente diagnosticado com TAG, distúrbio de ansiedade generalizada. Não consegui fazer mais estágios e formei apenas com o tempo de experiência do que fiz (menos de 6 meses).
Depois de formado eu fiquei cerca de 8 meses completamente estagnado, as únicas coisas que eu fazia era tomar meus remédios, jogar e dormir, este ciclo se repetia toda semana. Um belo dia resolvi não tomar mais os remédios e fui diminuindo aos poucos, um mês após largar os remédios tive dengue e naquela semana minhas plaquetas diminuíram de forma considerável, ao cogitar que eu poderia morrer minha vida veio à tona novamente o que resultou em uma grande crise de ansiedade, no final de julho deste ano.
Me senti como na época da síndrome do pânico, talvez um pouco menos pior por ter sido a segunda vez, chorava vários dias me perguntando por quê eu era daquela forma e por quê eu tinha que passar por tudo aquilo. Levei cerca de dois meses e meio para me recuperar parcialmente, a ponto de exercer minhas atividades sem limitações.
Em outubro, um amigo de longa data de meu pai me arranjou um emprego na empresa de Tecnologia dele, para mim eu estava me superando em todos os quesitos, havia mudado meu pensamento e saído do ócio, estava estudando programação feito um louco! Porém ele tinha o perfil de um empresário e não de Recursos Humanos, o problema disso é que ele mesmo fez a entrevista comigo em vez do RH, explicando de forma muito falha a minha função na empresa. Ao chegar para trabalhar me deparei com um serviço aparentemente pesado que envolvia plantões, horários aleatórios para trabalhar e viagens para cidades do interior a serviço de clientes, isso fez com que minha ansiedade saísse completamente do eixo e eu pedi demissão no terceiro dia de trabalho.
Não me arrependo de ter saído, o estresse foi tanto durante esses três dias que tive que suspender a diminuição dos remédios que meu psiquiatra havia recomendado. Me doeu muito o fato de ter pedido conta, me fez lembrar de quando eu pedi conta do meu estágio e o quão decepcionante aquilo foi para mim na época.
Algumas semanas se passaram e conheci uma garota que me seguia a anos no Instagram, ela era de uma igreja próxima ao meu bairro e eu fiquei maravilhado com ela, não só pela beleza mas por tantos projetos sociais que ela participava e a forma que ela se empenhava em estudar. Fui pegando intimidade com ela e quando percebi já conhecia todas as pessoas da casa dela e mais algumas de fora como o cunhado dela, algumas tias e amigos.
Perante a essa paixão minha ansiedade não se conteve novamente e eu acabei dizendo a ela bem precoce que gostava dela, ela parecia ter um certo interesse em mim, mas daqueles de ter uma noite divertida e parar naquilo. O resultado foi um fora que me desestruturou um pouco, eu segui firme participando da igreja e indo com ela em lugares que ambos frequentávamos, como por exemplo o clube. Certo dia falei novamente com ela que gostava dela e ela me revelou que estava disposta a me dar uma chance.
O resumo dessa história foram dois dias que saímos juntos, uma vez para o cinema e outra vez em uma parte histórica da cidade, foi lindo ambas as vezes, minha memória recorda e chega a doer. Parecia tudo ótimo, mas não era bem assim, eu me esforçava para ter a atenção dela, estava sempre fazendo coisas incríveis como bolando presentes feitos a mão, desenhos, textos, poesias, tenho um livro em produção e criei um personagem para ela, a ajudei a fazer trabalhos dela relacionados a tecnologia. Para piorar eu estava criando vinculo com o pessoal da igreja e eu estava sofrendo com ela, pois percebia que as pessoas que criei vinculo, inclusive da família dela me davam mais atenção do que ela própria.
Um dia, após sair com as amigas e me deixar no vácuo, houve uma confraternização na igreja, onde ela mal conversou comigo, ao final chamei ela para fazer algo e ela argumentou que estava cansada. Já estava chateado com a situação e acabei deixando os grupos da igreja, ela me procurou para saber o que se passava e se desculpar pela falta de atenção. Achei ser uma boa oportunidade para expor como eu estava me sentindo com tudo e tentar ver se podíamos melhorar, como ainda não namorávamos eu fui total simples nas palavras e sutil, falei nada que pudesse soar como um compromentimento ou autoridade sobre ela.
Ela levou mais de 14 horas para me responder, e bem, a resposta foi um fora. Eu não estava surpreso com a resposta, porém fiquei arrasado, isso aconteceu ontem no Domingo (15/12/2019), fiquei sem rumo pois sou muito sentimental e não vejo como continuar frequentando a igreja sem alimentar um desejo ou mágoa por ela, fazendo com que aquele alicerce de pessoas que eu estava criando naquele lugar desmoronasse.
Para piorar sou frustrado profissionalmente, por não ter muita experiência em estágios não consegui atuar na minha área, meu pai é uma pessoa que possui certo dinheiro, porém tenho 24 anos e não acho que seja obrigação dele financiar uma faculdade para mim (até por isso estudei para conseguir bolsa na primeira), meu plano seria juntar dinheiro e começar outra faculdade para poder estagiar e adquirir experiência na minha área (não necessáriamente formar no curso, queria experiência do estágio e assim que me tornar um profissional Jr. trancar o curso e partir para uma pós graduação).
Para isso me sujeitei a trabalhar de faz-tudo numa fábrica de camisas, sendo que o final e início de ano são as épocas de maior fluxo de venda da empresa. Estou trabalhando de auxiliar administrativo, estoquista, vendedor, vendedor de e-commerce e as vezes até´mexo com algo de programação. Me sinto infeliz neste lugar, o salário não é bom, as condições de trabalho não são boas e o único benefício é o vale transporte em dinheiro. Sinto grande ansiedade no trabalho, o tempo parece arrastar, o trabalho parecer ser árduo e a fábrica fica em um lugar de classe baixa da cidade, o que me dá uma sensação de insegurança.
Não consigo me desligar no trabalho em casa, nem nos finais de semana, pensamentos da síndrome do pânico me atormentam, penso que um dia meus pais vão morrer, que eu irei morrer e isso fica me martelando de uma forma ruim. Penso na menina, nos poucos momentos bons que tivemos e no que me sujeitei a fazer por ela, penso nos meus amigos da igreja (para piorar a dona da empresa é da igreja e fica tocando músicas da igreja no meu trabalho o que me faz lembrar dela, as pessoas também ficam me dizendo que me viram na igreja ou em fotos da mesma em redes sociais).
Fico me perguntando se o meu problema é trabalhar, se eu não levo jeito para isso e obviamente fico péssimo pensando nisso porque trabalhar é o mínimo da dignidade, todo mundo quer trabalhar para ter seu dinheiro de forma digna (exclui-se meliantes desse comentário). E tudo isso citado me atinge enquanto estou trabalhando.
Meu sonho é ter paz mental, conseguir parar de tomar meus remédios, me tornar um bom profissional sem que o emprego pareceça uma grande tortura (inclusive estudei muito até entrar nesse trabalho para ficar fera no básico de programação front-end), e viver, sem me preocupar tanto em quando e como vou morrer, já que isso é algo natural e sem escapatória, ser independente para me sentir seguro comigo mesmo.
Este é um grande texto, iniciado as 10:00 mas terminado agora, pois me pegaram escrevendo ele no emprego e fui chamado àtenção. Senti a necessidade de colocar minha vida para fora, de alguma forma tenho a necessidade de me expor para as pessoas, não sei de onde desenvolvi isso e acho prejudicial... Mas aqui posso fazer de forma anônima.
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.08.31 08:49 taish Minha experiência com SRS, parte 3: o primeiro mês de recuperação

Essa é a parte 3 de ?, sem periodicidade definida. A parte 2, sobre a cirurgia e o dias no hospital está aqui. A parte 1 vem em seguida.
Este, como qualquer relato, se refere à minha experiência, com o meu cirurgião, nas minhas circunstâncias de saúde, anatomia, etc, e não é de nenhuma forma uma narrativa universal.
Passa voando! Céus. Completei um mês de cirurgia na quinta passada, e já vou fechando a quinta semana de recuperação. Vai indo tudo bem! Antes da operação, tinha muita preocupação sobre tudo que podia acontecer, as dúvidas que teria, os fluidos e sangramentos e etc. Sorte ou o que for, vai sendo tudo muito dentro dos conformes, talvez exceto uma parte. Também ajudou que tive várias consultas nas primeiras semanas, que me tranquilizaram e serviram pra tirar dúvidas. Mas vamos cronologicamente. A constar: o cirurgião exige que se fique ~3 semanas na cidade onde foi realizado o procedimento; acabei ficando 25 dias. Achei bastante bom, sabe. Ficar longe de casa, fazer tudo diferente, entrar meio na vibe férias (ainda que eu tenha começado a trabalhar remoto quando me senti mais firmezinha). Aluguei um BnB espaçoso pra dar conforto pra mim e minha mãe, e valeu cada centavo o investimento.
Depois de passar 5 dias no hospital, fui pra casa no fim de semana. QUE diferença. O hospital foi super ok em diversos níveis mas nada como estar num lugar confortável. Ir pra uma cama de casal grande melhorou minha qualidade de vida em muitos mil porcentos. Pude dormir! Esticar as pernas na cama! Aaah. Minha mãe esteve me acompanhando a ainda tive uma tia querida como bônus help por vários dias. Nos primeiros dias basicamente não saí da cama; só caminhadinhas curtas, pra esticar as pernas e ir ao banheiro esvaziar a bolsa da sonda. Nessas alturas meu eu preguiçoso tava achando a função ótima, prático não ter que ir ao banheiro seguido naquele estado de mobilidade precária — lembrando que é preciso caminhar a meios passos e de pernas bem abertas. Tivemos de ficar de olho, a cama era baixa e seguido o catéter não funcionava, mas demos jeitinhos. (Uma noite em especial ele parou de receber o xixi, acordei com a bexiga cheia. Bastou ficar em pé pra descer tudo e ENCHER a bolsa e mais 1/3. Quase divertido. Eu não sentia nada, só no visual mesmo.) Alimentação era ainda líquidos pastosos. No dia seguinte meu intestino funcionou, alegrias gerais (porque é sinal de que tá tudo bem nessa parte). Tava razoavelmente tensa com a expectativa desse momento mas foi tranqs (não pode fazer força, tem que deixar rolar ao natural). Aliás, sentar no vaso sanitário é (e continua sendo) uma glória, porque é o único momento onde dá pra sentar mesmo, normalmente, de boas, já que a parte operada fica 'em suspenso'. De resto, só sentando na "ponta" da bunda, o que é péssimo porque não dá pra apoiar o peso do corpo, e a gente desliza e fica meio deitada. Nesses dias comecei a rotina de limpar os pontos 3x ao dia. Muita, muita compressa se usa: água oxigenada, depois iodo, depois seca bem; de boas. Segui com zero dor, apesar de que claro, às vezes ao tocar tava tudo meio sensível, mas um incômodo intermitente suportável. No dia seguinte encarei um banho. Delícia, apesar de estar meio nervosa de ficar tanto tempo em pé; mas foi tudo bem. No outro dia ousei lavar o cabelo, rapidinho, sem muita invenção. ESSE SIM foi o alívio. Uma semana sem lavar e eu tava me sentindo mais suja por causa do cabelo do que o corpo. Haha.
Na terça tive a primeira consulta pós-operatória. Fomos de Uber até a clínica. Uma função: ir no banco da frente, apoiada/'sentada' no cóccix, banco reclinado, basicamente deitada e tentando manter as pernas mais abertas possíveis. Cena se repetiria várias vezes (e ainda, mas agora faço a função no banco de trás mesmo). Chato, mas bora. (Motoristas mega pacientes e atenciosos em Floripa, agradeci.) Sala de espera preferi ficar em pé, segurando minha bolsa de xixi, bem bela e natural. Encontrei uma menina que fez a cirurgia no dia seguinte depois de mim. Trocamos as mesmas impressões: inferno de não dormir no hospital, mas as duas surpresas por não sentir nenhuma dor. Ela havia desmaiado num dos dias em casa, no entanto, e tava meio assustada de se movimentar. Eu não passei por nada parecido, por sorte. Consulta em si: limpezas de praxe, e remoção do catéter. Medinho define, mas não chegou a ser dor; uma sensação de queimação e de estar, ahem, me mijando perna abaixo. Mas durou uns cinco segundos. (Foi meio sem aviso e eu sobressaltada com o ardor súbito perguntei sem articular direito "Uh, tem alguma coisa acontecendo?", e o cirurgião meio "Duh, tô tirando a sonda".) Conversinhas e, como meu intestino tava funcionando, fui liberada pra comer quase normal, evitando lactose (pode dar diarréia com os antibióticos, e ter que levantar correndo nem pensar), coisas difíceis de digerir e cortando carne pequeninho; muitos hoorays. Orientação de comer muita proteína, me passaram umas vitaminas também, e um remédio pra evitar ardência na uretra, mas que na real nunca cheguei a sentir. Pra ir embora pra casa, só depois de fazer xixi, pra confirmar que tava tudo certo. Desci de volta pra sala de espera, tomei uns seis copos d'água, esperei uns minutinhos e me fui ao banheiro. Sentei e nem demorou, já desceu um xixi meio tímido, ardidinho só no começo pela retirada da sonda. Me botei a chorar emocionada no banheiro da clínica, óbvio. Chegando em casa fiz outro xixizão, bem feliz. É legal pra caramba fazer xixi sem disforia! Chato é a bagunça: como a uretra tá no meio dos lábios inchadões, é um spray que molha bunda, coxa, tudo que tiver no caminho — tem que cuidar e ver se não tá saindo pra fora do vaso, inclusive. Lencinho íntimo umedecido pra limpar é um must. Também é divertido descobrir que muda a sensação de bexiga cheia; aquela coisa meio aperto na uretra agora é "dentro", mais atrás, e não mais na ponta de um treco. E é menos forte e agressiva, apesar de certamente fazer pressão e não restar dúvida do tenho que ir. Descobertas. Comemorei 12 dias sem me alimentar como gente pedindo um hamburguer com batata rústica. Finalmente mastigar outra vez: mui bueno.
Os dias seguintes foram de começar a ficar mais móvel, já que ter que levantar pra ir ao banheiro tipo cada 3 horas. Mas sem muita agitação também. Sair e voltar da cama que é chato, todo um arrastar as costas, depois o púbis, e assim vai indo pra ponta da cama, baixa uma perna, gira o corpo pra ficar na transversal da cama, baixa a outra, desliza até apoiar o cóccix pra sentar, aí levantar... ai, demora. Mas, né. Processos. Umas dorzinhas aleatórias aumentaram de frequência; vem tipo uma pontada e aaaaAAAAA e passa. É normal da cicatrização e os nervos se reconectando. Ás vezes é um choque. (Exatamente como se fosse um choque. É mais susto que dor. E bom sinal. Haha.) Sexta tive nova consulta; aulinha e primeira dilatação, e fui liberada pra comer normalmente. Sempre tirar várias dúvidas, fazer perguntas etc. Chegando em casa de volta, fiz a primeira sessão de dilatação, sem muitos percalços; narrei esse evento aqui. Fui liberada pra lavar a vagina no banho — sem ducha, só por fora mesmo. EMOÇÃO. Mais choro. Até então não estava tocando a área no banho; passar os dedos e sentir o contorno certo é, bah. Tive várias sensações loucamente boas desde a cirurgia, essa foi uma delas.
A partir daí, os dias começam a ficar mais rotineiros. Já tava craque de limpar os pontos. A partir do terceiro dia já não via mais pontinhos de sangue no dilatador, o que me deixou bem feliz. Transição pro dilatador 4 foi bem de boas; um tantinho de desconforto no começo ao passar pela musculatura, mas nada muito extra. Também me sentindo mais segura nas manobras de levantar e deitar, e já dando passeinhos pela casa, indo pra sacada tomar sol. Liguei pra um salão que tinha bem pertinho e chamei uma manicure pra me fazer as mãos a domicílio. No meio da segunda semana passei a habitar o sofá da sala, e logo a equilibrar o notebook na barriga pra fazer coisas da faculdade e, na segunda seguinte, começar a trabalhar. Tive consulta na quinta, liberada pra ficar mais tempo em pé, comecei a lavar louça, arrumar minha cama, dispensar um pouco minha mãe de ficar na minha volta, porque olha, paparico é bom mas chega uma hora que URGH fazer as coisas por mim mesma alôooou. Nesse ponto a vibe é mais descanso que qualquer outra coisa, tava me sentindo bem e forte, e também mais confiante -- no começo a gente fica super insegura de qualquer coisa, fazer esforço, se mexer errado, mas aos poucos vai ganhando terreno.
Se por um lado o descanso é bom e absolutamente necessário, é também a parte complicada desses dias. Apesar de ter feito a cirurgia mais simbólica, ia sentindo minha feminilidade escorrer de mim, passando o tempo na horizontal, presa em casa de moletom largão, andando de perna aberta, vazando fluidos, tendo que comer deitada, sendo inútil. E sem poder pensar em sexo (literalmente, não pode nem pensar; todo um lado de sensualidade e fantasia que tem que ficar desligado. Não que eu tivesse que segurar lá muita vontade, tipo, nenhum desejo de me tocar, por exemplo -- que nem posso, e nem tenho onde, porque o clitóris ainda tá escondido atrás dos grandes lábios inchados. Mas a sensação de liberdade, de conquista, de desejo de ir pra vida, estar confortável com o corpo, tudo isso é sensual, excitante — e a sensação de sangue afluindo ao local, ainda que eu não permita a excitação se estabelecer, é inconfundível. Daí tem que pensar nas avós mortas pra cortar embalinho.). Sei que foi me crescendo uma ansiedade, vontade de ir pro mundo, estar pronta, e ir percebendo que olha, vai levar um tempinho pra isso acontecer. Ter que esperar 20 dias pra poder voltar a tomar hormônios também não ajudou; eu tava subindo pelas paredes, já. Então tem que ter em mente que esses dias cobram um preço; apesar de estar me sentindo bem, o corpo tá passando por processos internos bem significativos, e isso também mexe no equilíbrio da gente. E apesar dos momentos de emoção que narrei, me impressionou que o sentimento maior é de normalidade. Pra mim tem sido muito corrigir o que tava errado, e chegar no zero; ficar sem disforia genital é, pqp, incrível, mas no geral é só conceitualmente incrível; no dia a dia, não é eufórico, simplesmente não é nada. A naturalidade tem sido espantosa. Tô ali dilatando com uma mão, com a outra no celular lendo reddit, como se nada tivesse acontecendo. Tipo meeeeeeu, tu tá colocando coisas dentro da tua vagina! REALIZA o que isso significa, o quanto tu suou, chorou e sonhou pra chegar até aqui. Mas na real tem sido isso, conquistar a normalidade. E é maravilhoso mas é engraçado, não que eu esperasse viver eufórica, mas não sei, talvez com o desejo todo, a coisa se pintasse meio assim em algum nível menos consciente. Não tô nem um pouco desapontada; talvez surpresa em como, muito muito rapidamente, ter uma vagina ficou absolutamente normal. Se eu olho pra trás, até o hospital, nunca não foi normal. Teoria do mapa neurológico proprioceptivo do corpo correto em pessoas trans: boto fé e assino embaixo.
Depois de 25 dias, voltei pra casa. Bem mal-ajeitada na cadeira durante o vôo, mas pelo menos foi rapidinho. Aqui, nada de muito diferente de lá; agora mais dos dias deitada diante do meu computador, num arranjo de cadeira e gavetas pra fazer uma quase-cama péssima, mas pelo menos eu consigo usar meu desktop (odeio notebook, nosssssa, ficar semanas usando touchpad quase acabou comigo). A partir da 3a semana, liberada pra um esquema tipo 2 horas de atividade em pé, 2 horas deitada; acaba não sendo bem isso, mas dá uma ideia de equilíbrio das coisas. Na quinta, exatamente um mês, e uma semana atrasada, finalmente consegui passar pro dilatador 5; o monstro (3,1 x 13,2; ainda tem um ogro n° 6 de 4 x 15) entrava no canal razoavelmente de boas, mas passar pela musculatura, no way (e eu meio medrosa de forçar). Na quinta meio que entendi a manha; empurra 1 ou 2cm, espera passar o desconforto, volta, empurra mais uns centímetros, espera, repete. Demorei uma vida, mas aí finalmente consegui colocar por completo, comemoraçãozinha. Hoje já foi um pouco mais rápido, então tô sacando como vai ser essa adaptação, e tô mais confiante. Sexta que vem tenho consulta de 6 semanas (menos 3 dias, mas ok), e em seguida volto ao trabalho. Ainda não vou estar liberada pra andasentar que nem gente, acho que só aos 3 meses; inchaço ainda é significativo, embora a diferença seja bem perceptível. Pontos vão caindo/sumindo, vou percebendo melhor minha cicatriz (que é diferente, aliás; ao invés do "V" usual, é uma só, linha reta por uns 4 dedos acima da vagina). Vem sendo esse mistão de sensações: tem horas que é insuportável não poder me mexer direito nem sentaaaaar, e ter que andar feito caubói, e eu não me aguento de ansiedade de querer estar pronta pra fazer tudo que quero fazer; outras horas é a paciência e o ok, as coisas estão indo bem, segura o tchan; e outras que bate a euforiazinha por um motivo ou outro. Essa semana saí com uma legging cinza e me olhar no espelho foi completa magia — nunca consegui usar legging antes da cirurgia porque não me sentia confiante, mesmo com tuck no máximo. Dessa vez me preocupei se tinha algo aparecendo demais no meio das pernas, mas era finalmente a preocupação certa. Outra legal foi, deitada na minha cama, onde tem memórias de uma vida inteira, simplesmente colocar a mão no púbis e... não sentir nada ali; a ausência da coisa errada. Espasmos e risinhos literalmente inevitáveis de euforia, o cérebro ali registrando a sensação nova e certa. É mesmo tipo isso: um mix de normal e ansioso com delicinhas salpicadas. Mesmo quando tá normal/ansioso dá pra acionar a parte boa, é só pensar conscientemente como eu estou, genitalmente. Vem o sorriso inescapável e a satisfação. Claro, quero mais: tá faltando muito, ainda, pra estar normal, e nem me conheço por completo ainda. Mas cada dia, cada semana, vou ficando mais próxima. Não vejo a hora!
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2019.07.27 00:48 Tinyze Quando as insuficiências pessoais se tornam evidentes e impossíveis de serem gerenciadas

Essa deve ser a quarta vez que começo a escrever esse desabafo. Porém, sempre paro na metade ou escrevo tudo o que precisava “vomitar” e apago, tamanha a vergonha de perceber a habilidade que meu subconsciente tem de jogar contra mim mesmo. Porém, tamanha a aflição que isso me causou hoje, resolvi ir até o fim.
Eu sempre fui o tipo de pessoa mais introspectiva, que veste a máscara do “nerd”, com um pouco de dificuldade em termos de socialização, sem amigos (no máximo colegas), e que nunca sentiu a famigerada paixão por outra pessoa.
Comecei a sair dessa zona de conforto há dois anos atrás, principalmente por conta da minha sexualidade, por necessidades sociais, medo de ficar velho e solitário, entre outras carências. Apesar de fazer coisas que nunca imaginei que faria e conhecer pessoas que nunca achei que conheceria, sempre volto para essa redoma de solitude, de uma forma ou de outra. Apesar de serem claras as faltas que essa realidade evidencia na minha vida, parece que essa é minha origem e o único lugar em que me sinto realmente quem sou.
Não foi diferente no meu local de trabalho. Durante o meu estágio, depois de me formar, e agora, após quase dois anos trabalhando nessa empresa, minhas atividades sempre foram bem “solitárias”, focadas em problemas específicos que me proporcionaram oportunidades de crescimento e mudanças... Pelo menos esse era o ambiente, até poucos meses atrás.
Como fui ganhando novas responsabilidades, foi necessário que uma pessoa fosse contratada para me auxiliar. E assim foi feito. Apesar de demorar pegar o jeito, o menino contratado está dando conta do trabalho. E quando não está realizando atividades em outros setores ou me auxiliando, está junto de mim. Desde o dia em que começou a trabalhar, fomos ganhando intimidade, passamos a compartilhar pensamentos e opiniões sobre o mundo e sobre os outros (algo me faz sentir extremamente vulnerável), trocar experiências e conhecimentos.
Sinto uma liberdade para falar sobre quase todo assunto com ele. Falamos de roupa, moda, depilação, trabalho, sonhos, problemas familiares – e dele com a namorada - com muita naturalidade e, eu imagino, de maneira confortável para ambos. Olhamos um ao outro usando o celular e mandando mensagens pelo Whatsapp. Chegou ao ponto de me chamar para dividir um apartamento, mas para manter o distanciamento entre vida particular e trabalho, recusei inventando uma desculpa qualquer.
Se eu tivesse que elencar a coisa que mais me confortável quando perto dele, seria a ausência do arquétipo do menino com a heteronormativiade tóxica (Apenas perto de mim, conforme já reparei). Aliado esse apreço, também sinto uma atração física descomunal por ele. Apesar de ele estar relativamente longe do que as pessoas julgam como o padrão de beleza ideal, eu acho realmente difícil acreditar da capacidade da natureza em gerar um ser completamente simétrico, desenhado pelas mãos de um ser superior ou algo do tipo, como ele é.
Situações em que nossas pernas se encostam, em que os nossos corpos ficam tão próximos que sinto o seu cheiro doce, que nossas mãos se tocam quando ele me leva um copo de café, ou quando ele pede para sentir algo na sua mão se tornaram algo muito bom para mim. E apesar de existir culpa por estar cruzando algum limite ético e profissional, ela não diminui a atração e prazer nesses atos.
Neste ponto já me sinto extremamente envergonhado de mim mesmo, pois apesar de tentar me afastar desse arquétipo, meus relatos e sentimentos aqui expostos não são nada mais nem menos que o típico gay que sente atração por um hétero. Sempre achei isso a coisa mais degradante que podemos fazer, porque em última instancia, estamos desejando alguém que na realidade não entende o que você sente e até te despreza.
Uma situação, porém, mostra como sou um ser faltante em diversos aspectos. Após algumas semanas trabalhando na empresa, ele começou a falar com uma menina, que logo teve que sair pois precisará se mudar de estado. Percebi que ele começou a ficar mais discreto quando mandava mensagem e logo entendi que era para ela, e sempre desconversava. Não tinha o número adicionado e apagava a conversa. Obviamente por conta dos ciúmes por parte da namorada. Hoje, no dia em que ela está se mudando de fato, percebi que ele respondia um “textão” no final da tarde. Isso deixou ele bem pensativo, e me deixou com um sentimento horrível no estômago.
Em uma análise rápida penso que isso não é nada mais do que ciúmes. Inveja de algo que eu nunca vou poder sequer chegar perto. Desejo ou interesse que nunca serei capaz de experimentar.
Penso também que a heterossexualidade dele me agride de alguma forma nesse aspecto. Assim como me senti agredido pela sua beleza quando o vi, o fato de fazer algo digno de louros – pegar a menina que todos acham linda – e estabelecer sua imagem de poder e masculinidade me diminui no meu local de trabalho.
Ou também me sinto mal por ele não compartilhar isso comigo. Talvez até ofendido, por ele menosprezar o respeito e cumplicidade estabelecidos. Ou mesmo mal pela namorada dele, a qual tive a oportunidade de conhecer e conversar.
De qualquer forma, sendo só a alternativa mais simples, ou todas, ou nenhuma delas, essa situação evidencia o ser faltante que sou. A necessidade em possuir um vínculo de amizade sincero e natural, o complexo de inferioridade, o desejo sexual reprimido, a necessidade instintiva de romantizar tudo... Enfim.
Talvez deva perguntar naturalmente sobre esse fato para ele, com um amigo faria. Talvez deva criar um distanciamento e “enxotar” do meu ambiente cada vez mais. Talvez deva guardar esse fato e jogar na cara para forçar um distanciamento. Talvez não deva fazer nada e continuar sentindo esse incômodo e agonia.
Essa situação é extremamente desconfortável e paralisante, pois além de estar sofrendo por algo que só existe na minha cabeça, coloco minha única chance na vida, meu desempenho e a minha carreira, muito próximos de irem para o ralo, por conta de "necessidades" que sempre estiveram fora do ambiente de trabalho. Se eu der mais “pinta” do que já dou, a equipe homofobica não irá hesitar em destruir minhas chances na empresa.
A vida era mais simples quando eu só precisava jogar Skyrim e estudar.
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2019.07.21 04:54 LamedVavnik Reportagem da Veja de outubro de 1968 contando um confronto entre a USP e a universidade do Mackenzie com uma fatalidade. A edição da revista é usada como código no filme Batismo de Sangue.

Olá Brasil! Achei essa reportagem à alguns anos atrás enquanto fazia um resumo do filme Batismo de Sangue para um trabalho de ensino médio. É um excelente filme que conta a história do Frei Tito, preso e torturado durante a ditadura sob acusações de ter contato com Carlos Marighella. Durante uma das cenas a edição de outubro de 1968 da revista Veja é usada como símbolo dos militantes. Fiquei curioso na época e conseguir achar uma versão online do texto, que dá uma pequena visão do panorama politico da época.
Destruição e morte por quê?
O ovo veio antes. Estourou na cabeça de um estudante. Depois vieram outras explosões, de coquetéis Molotov, bombas, rojões, mais tiros de revólver, para transformar um pedaço da Rua Maria Antônia, no centro de São Paulo, num campo de batalha. Poderia ter sido mais uma briga, marcando a rivalidade entre os alunos da Universidade Mackenzie e a Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, uma em frente a outra se encarando com maus olhos há muito tempo. Mas a incrível batalha foi longe demais: há um morto, um moço de vinte anos, muitos feridos, os prédios de duas escolas danificados, vários carros virados e incendiados. No mesmo momento em que os universitários brasileiros reclamam um nível melhor de ensino e pretendem uma participação mais ativa na vida política do País, 3.000 estudantes do Mackenzie e 2.500 estudantes da Faculdade de Filosofia da USP deflagram a sua guerra por causa de um ovo. Para um estudante do Mackenzie, "essa briga prova que não há lugar para duas escolas na Rua Maria Antônia". é muito pouco para tanta violência. Uma coisa é certa: aos dois lados faltou a visão das conseqÜências políticas e dos danos materiais que a briga provocaria - e faltaram líderes para deter a briga, antes que chegasse onde chegou. Ao lado do caixão de José Guimarães, o jovem secundarista que tombou na batalha sem glória, Dona Madalena, a mãe desolada, chora, enquanto o irmão mais velho, Ladislau, repete para cinegrafistas e fotógrafos: "Filmem e fotografem à vontade. Talvez tudo isso sirva para alguma coisa, um dia".
Paus e pedras, bombas Molotov, rojões, vidros cheios de ácido sulfúrico que ao estourar queimavam a pele e a carne, tiros de revólver e muitos palavrões voaram durante quatro horas pelos poucos metros que separam as calçadas da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Exatamente às 10 e meia da manhã do dia 2, quarta-feira, começou a briga entre as duas escolas. Porque alguns alunos do Mackenzie atiraram ovos em estudantes que cobravam pedágio na Rua Maria Antônia a fim de recolher dinheiro para o Congresso da ex-UNE e outros movimentos antigovernistas da ?ação? estudantil, a rua em que vivem as duas escolas rapidamente se esvaziou. Formaram-se grupos dos dois lados, dentro do Mackenzie, onde estudam membros do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), Frente Anticomunista (FAC) e Movimento Anticomunista (MAC); dentro da Faculdade de Filosofia da USP, onde fica a sede da ex-União Estadual dos Estudantes. As duas frentes agrediram-se entre discursos inflamados e pausas esparsas. Ao meio-dia a intensidade da batalha aumentou, porque chegaram os alunos dos cursos da tarde. O Mackenzie mantinha uma vantagem tática - os seus prédios ficam em terreno mais elevado e são cercados por um muro alto. A Faculdade da USP está junto à calçada, num prédio cinzento e velho, com a entrada principal ladeada por colunas de estilo grego e duas portas laterais. A fachada não tem mais que 20 metros. Seu único trunfo: uma saída na Rua Dr. Vila Nova, perpendicular à Maria Antônia, bem defronte à Faculdade de Economia, também da USP. Nessa quarta-feira, uma enfermaria improvisada no banheiro da USP atendeu a seis feridos. Dois alunos do Mackenzie também se machucaram. Na rua, os estudantes da USP apupavam os do Mackenzie: "Nazistas, gorilas!" E os mackenzistas revidavam: "Guerrilheiros fajutos!" às 2 da tarde a reitora do Mackenzie, Esther Figueiredo Ferraz, pediu uma tropa de choque - 30 guardas-civis - para "proteger o patrimônio da escola". Quando a polícia chegou, os estudantes se dispersaram. Houve uma trégua.
TODOS NA DEFESA - Durante a noite as duas escolas discutiram a briga em assembléias. E tanto um grupo como o outro chegou à mesma posição: organizar a defesa para o dia seguinte e só atacar se atacado. A assembléia da USP declarou que não queria lutar contra o Mackenzie, mas contra o CCC. No dia 3, quase às 9 horas da manhã, um grupo de rapazes saiu pelo portão de ferro do Mackenzie, correu até a entrada da Faculdade de Filosofia e arrancou uma faixa suspensa entre as duas colunas. Dizia a faixa: CCC, FAC e MAC = Repressão. E mais abaixo: Filosofia e Mackenzie contra a Ditadura. Os dizeres insinuavam união das duas escolas contra a "ditadura" e as organizações de extrema direita. Ao arrancá-la, os mackenzistas repudiavam a pretendida unidade. E para que isto ficasse bem claro, às 9 e meia tomaram mais duas faixas dos alunos da USP. Foi o fim da trégua. Novamente a pequena rua estremeceu com a explosão de rojões, bombas, tiros, vidraças quebradas por tijolos e barras de ferro. Labaredas de fogo subiam pelas paredes lambendo o rebôco e deixando um rastro negro de fuligem. Guardas civis protegiam o Mackenzie - ainda a pedido da reitora - armados de metralhadoras, fuzis e cassetetes tamanho-família. Luís Travassos e Édson Soares, respectivamente presidente e vice-presidente da ex-UNE, somados a José Dirceu, presidente da ex-UEE, comandavam a resistência da Filosofia.
TODOS NO ATAQUE - Por volta de meio-dia, centenas de curiosos e colegiais que vinham das aulas da manhã aglomeravam-se nos dois extremos da Rua Maria Antônia. Aproveitando a presença dessa platéia, os universitários da USP, com saquinhos de papel na mão, pediam dinheiro "para comprar material de guerra". Grupo de alunas de um colégio próximo subiu num monte de material de construção. Entre elas estava uma menina de quinze anos, com uniforme da quarta série ginasial do colégio "Des Oiseaux" e óculos escuros. Ficou ali quase uma hora, até o instante em que três policiais avançaram sobre um grupo de estudantes que havia lançado pedras contra eles. Um dos policiais puxou o revólver e atirou para o ar. Um aluno da USP jogou-se contra ele, de mãos abertas, forçou o braço do soldado para trás e tentou tomar-lhe o revólver. Dois outros soldados começaram a dar tiros no chão. Um estudante foi ferido na perna: Jorge Antônio Rodrigues, do terceiro ano de Economia. Foi o primeiro choque entre polícia e estudantes na quinta-feira. Um capacete de aço que tombou na luta foi levado como troféu para o interior da Faculdade. Nessa hora, a platéia debandou. A menina de óculos escuros quase levou um tombo. Era a filha do Governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré. Logo depois, uma sirena gritou na rua. Os estudantes pensavam que a polícia estivesse investindo, mas era uma ambulância que ia buscar o rapaz atingido no rosto por um rojão, aluno do Mackenzie. Nessa escola, alguém ensinava como preparar bombas Molotov (segundo alguns alunos, foram atiradas mais de mil contra os estudantes e o prédio da USP). Nos rojões de vara eram adaptados vidros com gás lacrimogéneo, que iam rebentar no interior das salas da USP. Ácidos de cheiro muito forte e enjoativo eram lançados da mesma maneira. Foram instalados fios elétricos nos portões de ferro e grades do Mackenzie. Quem tocasse ali seria eletrocutado. As vidraças quebradas da USP eram substituídas por tapumes de madeira. Mas a tropa de choque da Faculdade de Filosofia havia acumulado às 14 horas um monte alto de pedras e duzentos rojões. Uma garrafa Molotov estourou sobre os fios de alta tensão que cruzavam a linha de fogo, queimou um deles, e de repente espocaram estalos e faíscas esverdeadas pela rua. Mais correria, mais gritos, mais palavrões. Do Mackenzie saíram bombas de gás lacrimogéneo que detonaram na rua e na entrada da Faculdade de Filosofia. Um edifício em construção, ao lado do Mackenzie, foi ocupado pelos mackenzistas.
DESORDEM, FERIDOS - Boatos e notícias contraditórias circulavam. A polícia invadirá as duas escolas, diziam uns. Outros negavam, mostravam-se mais sabidos: virá o Exército. "Por que seria a polícia? Se ela quisesse, já teria tomado alguma providência. Não iria ficar parada, assistindo de camarote a essa insensatez dos estudantes", dizia um velho, numa esquina. Para o General Sílvio Corrêa de Andrade, chefe do Departamento de Polícia Federal em São Paulo, todas as providências cabiam à polícia do Estado. "O que ocorre na Rua Maria Antônia é desordem, briga, e não manifestação política", dizia ele. Muitos alunos do Mackenzie feriram-se por acaso. Quando corriam por cima dos prédios para escapar das pedradas, sentiam as telhas cederem sob seus pés. Caíam então de uma altura de quase dois metros, desabando no assoalho do último andar. Um quebrou a clavícula, outro o nariz e um terceiro cobriu-se de escoriações. Por volta das 13h30 chegou um carro-tanque com seis bombeiros a pedido dos alunos da USP. Estacionaram na Rua Dr. Vila Nova e começaram o combate aos focos de incêndio que se multiplicavam pelo prédio da Faculdade de Filosofia. José Dirceu soltava frases de efeito: "As violências da direita estão sendo respondidas pela violência organizada do povo e dos estudantes", ou "Vamos esmagar a reação."
DE REPENTE, A MORTE - Perto do edifício em construção, tomado por alunos do Mackenzie, um grupo de secundaristas recolhia pedras para a USP. Na Rua Dr. Vila Nova ecoaram gritos e para lá correram muitos estudantes. Que era? Um aluno da Faculdade de Direito do Mackenzie, João Parisi Filho, halterofilista e desenhista, que teve trabalhos expostos na última Bienal de São Paulo. "Ele é do CCC", comentava-se. Cerca de oitenta estudantes da USP rodearam Parisi berrando: "Lincha! Mata o canalha!" O rapaz tinha um revólver. Tornaram-no. Depois, aos tapas, conduziram Parisi ao prédio da Faculdade de Economia da USP. (Quando à noite esse prédio foi tomado pela Força Pública, o presumível agente do CCC foi detido com os demais estudantes e encaminhado ao DOPS.) O trabalho dos bombeiros não parava. Rojões estouravam intermitentemente na Rua Maria Antônia. Súbito, defronte à Faculdade de Filosofia, um estudante com os braços abertos e quase se ajoelhando na calçada berrou: "Ambulância, ambulância, por favor". E atrás deste vieram mais rapazes carregando um jovem de cabelos pretos que tinha a camisa de linho branco tinta de sangue. Era José Guimarães, aluno do Colégio Marina Cintra, terceira série ginasial, vinte anos. Pintava nas horas vagas. Tinha mãe viúva. Ao passar pela Rua Maria Antônia resolveu ajudar os universitários. Recolhia pedras para a USP. Uma perua dos "Diários Associados" levou-o para o Hospital das Clínicas. Mas José Guimarães morreu no caminho. Na Maria Antônia ele deixou revolta e manchas de sangue. Laudo da autópsia: "A bala é de calibre superior a 38 ou de fuzil. Havia seis ou sete pedaços de chumbo no cérebro. O tiro entrou 1 centímetro acima da orelha direita e saiu à altura da linha mediana da cabeça, atrás, ligeiramente à esquerda. A bala fez um percurso de cima para baixo, em sentido oblíquo". Quem atirou? Ninguém sabe.
A BRIGA PROSSEGUE - Ao saber da morte do estudante secundário, José Dirceu subiu num monte de tijolos, cadeiras, corrimãos de escada e paralelepípedos, que servia de barricada, fez um comécio-relâmpago. "Não é mais possível mantermos militarmente a Faculdade. Não nos interessa continuar aqui lutando contra o CCC, a FAC e o MAC, esses ninhos de gorilas. Um colega nosso foi morto. Vamos às ruas denunciar o massacre. A polícia e o exército de Sodré que fiquem defendendo a fina flor dos fascistas. Viva a UNE, abaixo a reação!" Então concebeu uma nova imagem e desfechou: "Jorge, o rapaz morto, é um segundo Édson Luís (o secundarista que morreu no restaurante do Calabouço, na Guanabara). Vamos às ruas!" Com essa oratória Josá Dirceu conseguiu pôr a maioria dos assistentes em posição de passeata. "Não é Jorge, é Dionísio" cochichou uma estudante à colega. Ninguém sabia direito o nome da vítima. às 3 e meia uma janela se abriu no prédio da USP, e através dela um aluno gritou: "Estão contentes? Vocês já mataram um". Só assim os mackenzistas souberam da morte de um adversário. Também não entenderam a morte. Uns diziam que tinha sido uma bomba Molotov, outros, que foram tiros da polícia. Quem havia morrido não interessava. Toda a atenção deveria voltar-se para a pontaria das pedradas, que continuaram, mesmo depois de oitocentos estudantes da USP saírem em passeata.
QUEIMAR, QUEBRAR - Os estudantes ganharam a cidade em dez minutos. Arrancaram um pano vermelho da traseira de um carro-guincho e com ele fizeram uma bandeira. Em seguida, cercaram um Aero-Willys com chapa branca da Prefeitura Municipal de Santo André (cidade dos arredores de São Pauto), obrigaram o chofer, preto e gordo, a correr, quebraram todos os vidros do automóvel e amassaram a carroceria. Vinte metros adiante, rodearam um Volkswagen da polícia. Com pedaços de ferro nas mãos, dirigiram-se ao motorista: "Com licença, nós vamos pôr fogo no seu carro". O policial abandonou o automóvel e ficou a distância entre os espectadores. Os estudantes tombaram o carro e atearam fogo.
Depois incendiaram um Aero-Willys da Força Pública de São Paulo. Iluminados pelas chamas que subiam a 20 metros de altura, José Dirceu e Édson Soares fizeram discursos "denunciando o assassinato de um colega e oferecendo solidariedade aos bancários que, em greve, resistem à opressão". Aproveitando o congestionamento do trânsito, as moças da passeata dirigiam-se aos automóveis parados, pedindo dinheiro para "a resistência" e anunciando a morte do companheiro. Minutos depois queimavam mais um Volkswagen da polícia. As chamas ameaçavam um ônibus; os passageiros o abandonaram apavorados, enquanto uma perua Rural-Willys da chefia policial era depredada. Do alto de alguns prédios caíam papéis picados. Na Praça da Sá, ponto central de São Paulo, um Aero-Willys da Polícia Federal foi depredado; os transeuntes gritavam, corriam. Uma senhora desmaiou e foi carregada até a Catedral. A passeata dirigiu-se para o Largo de São Francisco, onde fica a Faculdade de Direito, contra a qual foram lançados paus e pedras. José Dirceu fez novo discurso. De lá os estudantes correram para a próxima Praça das Bandeiras, onde surgiu um caminhão com doze homens da Força Pública. Os estudantes fugiram aos gritos. Seis jornalistas foram presos.
É UMA ESTUPIDEZ - Na Rua Maria Antônia a batalha arrefecia. No prédio da USP sobravam poucos estudantes. Algumas partes do teto ruíam. Às 18h30, Luís Travassos, o presidente da ex-UNE, entrou na Faculdade de Economia dizendo: "É preciso desmobilizar isso. Daqui a pouco não temos mais munição, o prédio pode ser invadido, vai ser um massacre." Os mais atirados queriam ir buscar o corpo de José Guimarães. "E que vamos fazer com o corpo aqui dentro?", perguntou Travassos dando de ombros. Às 20h30, José Dirceu apareceu com uma camisa suja de sangue. Subiu numa janela e, cercado por fotógrafos e cinegrafistas, teve um gesto dramático: "Colegas, esta camisa é do nosso companheiro morto pelas forças da repressão. Vamos todos para a Cidade Universitária. Haverá assembléia." Duzentos e quarenta soldados da Força Pública, cem cavalarianos, dois tanques e cinqüenta cães amestrados começaram a chegar na Rua Maria Antônia e vizinhança. O Mackenzie foi ocupado sem problemas, mas alguns estudantes ainda atiravam bombas Molotov contra o velho prédio da USP e pedras caíam sobre os jornalistas que tentavam se aproximar.
Um repórter da "Tribuna da Imprensa" do Rio de Janeiro foi ferido na cabeça. A Faculdade de Filosofia também foi ocupada. Nela estavam apenas alguns professores e alunos, fechados numa sala para redigir um manifesto sobre os acontecimentos. Os mackenzistas cantavam o Hino Nacional e davam vivas. A reitora Esther Figueiredo Ferraz apertou a mão de alguns funcionários e estudantes. E os estudantes gritaram: Vamos tomar uns chopes para comemorar a vitória". E foram beber.
QUEM VENCEU? - Enquanto o corpo de José Guimarães era velado pela mãe, a irmã e o irmão, sob forte proteção policial, enquanto os alunos da USP discutiam o que fazer no dia seguinte e os mackenzistas bebiam, o diretor em exercício da Faculdade de Filosofia, Professor Eurípedes Simões de Paula, observava que "o prédio da Maria Antônia não tem condições de funcionar até o fim do ano". As aulas serão transferidas para a Cidade Universitária. "Já deveriam ter saído antes", observou Erwin Rosenthal, o diretor que vai à Europa. Com isso, o Mackenzie ganhava o domínio da Rua Maria Antônia. A briga entre as duas escolas é muito antiga e cheia de crises. A principal foi em 1964, quando o CCC sentiu-se fortalecido com a mudança de regime e invadiu a Faculdade de Filosofia quebrando vidraças, móveis e espancando estudantes. Em 1966, quando Luís Travassos foi eleito presidente da ex-UEE, repetiu-se a invasão e foi destruída a urna de votação. Em 1967, quando José Dirceu substituiu Travassos, houve outras brigas. Mas há alunos do Mackenzie contrários a seus colegas da chamada "tropa de choque". E na passeata de uma hora feita na tarde de sexta-feira por cerca de 4 mil pessoas em sinal de protesto pela morte de José Guimarães (um protesto contra quem?), apareceu urna faixa: "O Mackenzie se Une às Outras Escolas e Repudia a Colaboração dos Professores na Fabricação de Armas Assassinas". Nessa passeata, que acabou sendo dissolvida a bombas de efeito moral e gás lacrimogéneo, José Dirceu declarou que "a UNE e a UEE derrotaram o CCC, o FAC e o MAC em quatro assembléias lá dentro do Mackenzie". A União das Mães de São Paulo, que apoiou a passeata, pediu aos estudantes que se manifestassem pacificamente. "Violência gera violência", disse a oradora da União. Os estudantes não gostaram da advertência. Um coro interrompeu o discurso: "Povo armado derruba a ditadura", gritaram. A senhora não perdeu a coragem. Uma mocinha deu-lhe apoio: "Muito bem". Mas o estímulo caiu no silêncio. A União das Mães tomou uma decisão na hora: "Retiramos nosso apoio se vocês não fizerem essa passeata pacificamente". Mas não houve paz. Alguns estudantes quebraram vidraças do First National City Bank, outros viraram e queimaram um carro. Às 20 horas - duas horas após o desbaratamento da manifestação -, uma perua da Força Pública foi atacada num ponto distante do roteiro da passeata. Luís Travassos e José Dirceu estavam cansados e unidos. A camisa manchada com o sangue de José Guimarães foi carregada como um estandarte. Ninguém - exceto parentes e policiais - pôde ir ao enterro do moço assassinado numa batalha absurda. O sepultamento marcado para as 16 horas de sexta-feira foi às 13 horas, no Cemitério do ?Araçá?. Os moços da ex-UNE querem fazer dessa morte um caso político de repercussão nacional e anunciam mais passeatas. A que pode servir tudo isso? O irmão do morto diz que talvez sirva a alguma coisa, um dia. Que coisa?
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2019.07.03 22:07 Water-Soup As outras "Matildes" Atrofia Muscular Espinhal tipo 1 a nossa história

As outras
Olá a todos, este é o meu primeiro post no reddit e quero partilhadesabafar em relação ás ultimas noticias que tem saído, em relação á atrofia muscular espinhal tipo 1, tenho visto muita gente a questionar em relação aos outros 9 casos, se realmente existem, muitos questionam o estado atual dessas crianças, dos tratamentos atuais etc
Eu vou começar por partilhar a nossa historia:
Esta primeira parte vou resumir muito para não entrar em muitos detalhes, a minha mulher em 2016 engravidou tudo parecia bem, até que no 3 trimestre da gravidez foi detetado Esclerose tuberosa grave é uma doença genética rara, que começou no coração e acabou no cérebro da menina, provocando derrames e maior parte do cérebro ser já só tumores, os médicos aos 8 meses puseram-nos na mesa a opção de aborto que aceitamos, tivemos que arrecadar várias assinaturas de vários médicos para se avançar com isso, quero realçar que a minha mulher trabalhava em um hospital na parte de quimioterapia, no inicio tivemos que assinar uma documentação de responsabilidade devido a radiação que as pessoas que trabalham nesse local estão expostas, a minha mulher nesse hospital não é caso único de acontecer situação idênticas. Após esta gravidez nós fizemos todos os exames genéticos que nos foram recomendados e não foi detetado nem em mim nem a minha mulher essa doença.
Em 2017, após indicação médica tentamos novamente, pois disseram nos que seria muito pouco provável acontecer algo idêntico. A minha mulher engravidou novamente, desta vez correu tudo bem na gravidez. É um menino, nasceu no final de Janeiro de 2018, chama-se João, foi a melhor coisa que nos aconteceu na vida.


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O João chegou aos 4 meses e começamos a detetar assim como os pais da Matilde detetaram, poucos movimentos mas eles detetaram mais cedo, fomos a dois hospitais em que num deles, o Hospital Dona Estefânia deram-nos a pior noticia que podíamos ter ouvido. Disseram-nos que o João tinha atrofia muscular do tipo 1, explicaram-nos o que era e que havia um tratamento chamado spinraza (nusinersen), na altura cada injeção destas tinha um custo de 125.000USD, era tudo comparticipado por um laboratório e recentemente (este ano) passou a ser pelo estado. Ele iniciou o tratamento aos 5 meses, neste momento o João tem 17 meses, não gatinha, ainda não levanta o pescoço durante muito tempo, mas tem vindo a ter boas evoluções, ao inicio não se mexia mesmo praticamente nada, mas mais importante é um bebé muito feliz, ele faz fisioterapia todos os dias connosco e 3 vezes por semana com fisioterapeutas pediátricos que vão domicilio, sim porque estas crianças têm que evitar ao máximo idas aos hospitais devido a ficarem expostos aos vários vírus que lá estão. Uma simples gripe para estes bebes pode ser fatal, eu já vi o João a ficar duas vezes roxo devido a falta de oxigénio causada por gripes. É algo que pais nenhuns deveriam passar, é algo fora do nosso controlo, vermos um filho nesse estado e não podermos fazer muito, esperar que os médicos consigam tirar dessa situação para não entrar em paragem respiratória. Ou como aconteceu umas das vezes em casa o momento de pânico enquanto a ambulância não chegava, até foram rápidos, mas os minutos pareciam horas. Com isto tenho a dizer que o João tem sido bem acompanhado dentro dos possíveis, já nos emprestaram alguns equipamentos como por exemplo cadeiras de posicionamento, para ele poder brincar e interagir com os brinquedos sentado.
Recentemente tem se falado de um outro tratamento o zolgensma, já vi em várias noticias que dizem que é a cura, quero só realçar que neste momento não existe cura para a atrofia muscular espinhal do tipo 1, estamos a falar de um medicamento que acabou recentemente o trial em 21 crianças, das quais 2 infelizmente não tiveram os melhores resultados, é um tratamento que é one-shot em vez do spinraza que tem de ser 4 em 4 meses para o resto da vida. Das 19 crianças viu-se resultados muito positivos principalmente em 2 crianças que não necessitam de ventilador e mais rápidos que o spinraza, enquanto a evolução do spinraza em um gráfico faz curvatura a do zolgensma é a pique é mais rápido, quais são as consequências a longo prazo? Ninguém sabe, sabemos que pelo menos já existem crianças com 4 anos no zolgensma e no spinraza já existe uma com 7 anos, se tiverem curiosidade em ver as evoluções consultem no Facebook o grupo “Arms for Asher
Eu não sei se o estado vai ou não comparticipar o tratamento da Matilde, mas se o fizer espero que faça para todos, ligamos para um médico especialista dessa doença e perguntou se o zolgensma seria vantajoso para os outros 9 casos, em que a resposta foi que seria benéfico e para que nós nos mexêssemos caso o estado abrisse a exceção.
Hoje no jornal de noticias saiu uma entrevista com os pais de uma das crianças nesta situação leiam se possível.

Quero aproveitar e deixar aqui o nome dos 10 casos em Portugal:
Matilde, Afonso, Miguel, Inês, Simão, Janat, Afonso, Noa, Natália e João.
Não digo os apelidos por motivos óbvios, mas estes são os nomes dos meninos/meninas. Realçar o caso da Noa, que está atualmente internada a mais de 6 meses no hospital e tem 10 meses de idade. Desejo muita força para os pais da Noa e espero que no futuro muito próximo o zolgensma chegue o mais rápido possível a Portugal.
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